O tipo de planeta mais comum entre os exoplanetas não existe no Sistema Solar

Super-Terras e sub-Netunos são comuns fora do Sistema Solar. Entenda como esses planetas se formam e por que não existem perto do Sol.

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Os planetas maiores que a Terra e menores que Netuno estão entre os tipos de exoplanetas mais encontrados pelos astrônomos, mas nenhum mundo com essas características existe no Sistema Solar. Essa ausência tornou-se uma das questões mais intrigantes da ciência planetária.

Esses mundos são geralmente chamados de super-Terras ou sub-Netunos. As duas expressões descrevem planetas que ocupam a grande lacuna existente entre a Terra e Netuno, que possui quase quatro vezes o raio terrestre e cerca de 17 vezes a massa do nosso planeta.

Segundo o Arquivo de Exoplanetas da NASA, 6.324 planetas fora do Sistema Solar estavam confirmados em 16 de julho de 2026. Uma parcela importante desse catálogo é formada por mundos sem equivalente entre os oito planetas que orbitam o Sol.

O que são super-Terras e sub-Netunos?

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Essa descoberta é uma super-Terra com o dobro do tamanho da Terra, que orbita uma estrela amarela semelhante ao Sol. Mas não se anime muito com a possibilidade de vida nesse planeta – as temperaturas lá são altas o suficiente para vaporizar metal. Esse mundo escaldante leva apenas nove horas para orbitar sua estrela, uma viagem que Mercúrio leva 88 dias para completar. É provável que K2-131b seja um inferno sem vida, onde o sol do planeta nunca se põe no lado diurno. Fonte: https://science.nasa.gov/

O nome super-Terra não significa que o planeta seja habitável, tenha oceanos ou se pareça com a Terra. A classificação está relacionada principalmente ao tamanho ou à massa.

De acordo com a definição apresentada pela NASA, uma super-Terra é maior que o nosso planeta, mas menor que Netuno. Dentro dessa faixa podem existir mundos rochosos, planetas cobertos por água, corpos congelados ou objetos cercados por atmosferas densas.

Os sub-Netunos, também chamados de mini-Netunos, costumam ser descritos como planetas com um núcleo sólido envolvido por uma camada significativa de gases, como hidrogênio e hélio. Alguns podem conter grandes quantidades de água ou atmosferas formadas por vapor em condições extremas.

Na prática, a separação entre super-Terra e sub-Netuno nem sempre é simples. Dois planetas com tamanhos semelhantes podem apresentar estruturas, densidades e atmosferas completamente diferentes.

Por que eles parecem tão comuns?

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Este infográfico ilustra as principais características do sistema TOI 270, localizado a cerca de 73 anos-luz de distância, na constelação austral de Pictor. Os três planetas conhecidos foram descobertos pelo Satélite de Levantamento de Exoplanetas em Trânsito (TESS) da NASA por meio de quedas periódicas na luz da estrela causadas por cada mundo em órbita. As imagens inseridas mostram informações sobre os planetas, incluindo seus tamanhos relativos e como eles se comparam à Terra. As temperaturas indicadas para os planetas do TOI 270 são temperaturas de equilíbrio, calculadas sem levar em conta os efeitos de aquecimento de eventuais atmosferas. Centro de Vôos Espaciais Goddard da NASA/Scott Wiessinger

A missão Kepler mostrou que planetas entre a Terra e Netuno aparecem com frequência em órbitas próximas de suas estrelas. Uma revisão científica publicada em 2026 indica que mais da metade das estrelas semelhantes ao Sol pode abrigar ao menos um planeta desse grupo em uma órbita inferior a 100 dias.

Esses sistemas podem surgir quando núcleos rochosos crescem rapidamente dentro do disco de gás e poeira que cerca uma estrela jovem. Dependendo da massa e do momento da formação, o planeta pode capturar uma camada de hidrogênio e hélio antes que o gás do disco desapareça.

Alguns desses mundos também podem ter se formado mais longe da estrela e migrado para órbitas internas. Esse deslocamento ajuda a explicar por que tantos sub-Netunos completam uma volta ao redor de suas estrelas em poucos dias ou semanas.

Existe, porém, um cuidado importante: planetas grandes e próximos de suas estrelas são mais fáceis de detectar pelo método do trânsito. Eles bloqueiam uma parte maior da luz estelar e passam mais vezes diante da estrela. Por isso, a expressão “mais comum” deve ser entendida como o tipo mais frequente entre determinadas populações observadas, e não como uma contagem completa de todos os planetas da Via Láctea.

Uma lacuna separa dois grupos de planetas

As observações revelaram uma redução na quantidade de planetas com aproximadamente 1,8 vez o raio da Terra. Esse intervalo é conhecido como “vale dos raios”. Abaixo dele aparecem muitos planetas provavelmente rochosos; acima, tornam-se mais comuns os mundos com atmosferas espessas.

Uma das explicações é que super-Terras e sub-Netunos podem começar de forma semelhante, com núcleos rochosos cobertos por gás. Os planetas mais próximos da estrela recebem radiação intensa e podem perder a atmosfera ao longo do tempo, deixando apenas o núcleo exposto.

Outros conseguem manter parte da camada gasosa e permanecem como sub-Netunos. A massa do núcleo, a distância da estrela, a composição original e a idade do sistema influenciam esse processo.

Por que o Sistema Solar não tem uma super-Terra?

Não existe uma resposta definitiva. Uma das principais hipóteses relaciona essa ausência à formação precoce de Júpiter.

O planeta gigante pode ter criado uma barreira gravitacional e reduzido o fluxo de pequenas partículas que migravam das regiões externas para a parte interna do Sistema Solar. Sem esse material, os planetas rochosos próximos ao Sol teriam crescido menos.

Júpiter e Saturno também podem ter alterado o deslocamento de embriões planetários. Em outros sistemas, esses corpos poderiam migrar para perto da estrela e formar cadeias de super-Terras. Aqui, a dinâmica dos gigantes teria contribuído para a formação de Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, todos menores que Netuno.

A hipótese é discutida em uma revisão sobre a origem das super-Terras e dos sub-Netunos. Os próprios pesquisadores ressaltam que diferentes processos podem atuar juntos e que a história completa da formação do Sistema Solar ainda não foi reconstruída.

O James Webb começa a revelar como esses mundos são

Como não existe um sub-Netuno perto da Terra, os astrônomos dependem de telescópios para estudar suas atmosferas. O James Webb consegue analisar parte da luz que atravessa os gases de um planeta durante sua passagem diante da estrela.

Em observações do sub-Netuno TOI-421 b, o telescópio identificou vapor de água, uma atmosfera rica em hidrogênio e possíveis sinais de monóxido de carbono e dióxido de enxofre. O resultado mostrou que esses planetas podem seguir trajetórias de formação muito diferentes.

As análises complementam outras descobertas de planetas feitas pelo James Webb e ajudam a entender por que sistemas planetários podem assumir configurações tão diferentes.

O estudo das atmosferas também revela que mundos semelhantes em tamanho não são necessariamente parecidos. Alguns podem conservar hidrogênio, enquanto outros apresentam grandes quantidades de água, gases pesados ou até uma possível atmosfera rica em compostos de carbono.

O Sistema Solar pode esconder um planeta desse tipo?

Até julho de 2026, nenhum planeta entre a Terra e Netuno havia sido confirmado no Sistema Solar. A hipótese do chamado Planeta Nove continua sendo investigada a partir das órbitas incomuns de pequenos corpos muito distantes, mas nenhum objeto foi observado diretamente.

Mesmo que um planeta distante seja encontrado, ainda será necessário determinar seu tamanho, sua massa e sua composição antes de classificá-lo como super-Terra ou sub-Netuno.

A ausência desses mundos perto do Sol não representa uma falha no Sistema Solar. Ela mostra que sistemas planetários podem seguir caminhos muito diferentes. Ao estudar os planetas mais comuns encontrados ao redor de outras estrelas, os astrônomos também descobrem por que a Terra e seus vizinhos formam uma configuração tão particular.

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