Rio de Janeiro — A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho de 2026 frente a maio, segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF) divulgada nesta terça-feira, 4 de agosto, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É o segundo resultado negativo consecutivo do setor, que havia registrado queda também em maio.
O desempenho de junho interrompeu a trajetória de crescimento observada no primeiro trimestre do ano, quando a indústria acumulou expansão de 3,1%. Com as quedas de maio e junho, o setor perdeu parte dos ganhos acumulados no início de 2026.
O que diz o IBGE
De acordo com o IBGE, a produção industrial nacional está 15,3% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011 e 1,8% acima do patamar pré-pandemia de fevereiro de 2020. A média móvel trimestral, indicador que suaviza a volatilidade mensal, também sinaliza perda de ritmo.
O instituto não detalhou ainda quais setores puxaram a queda de junho. O release completo com a desagregação por atividades e categorias econômicas será publicado nas próximas horas no site do IBGE. A divulgação regional da PIM-PF, com dados por estado, está prevista para o dia 11 de agosto.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Variação junho/maio 2026 | -1,8% |
| Variação acumulada no ano (até junho) | +1,3% (preliminar) |
| Variação em 12 meses | +0,4% (preliminar) |
| Média móvel trimestral | Em desaceleração |
| Distância do pico (maio/2011) | -15,3% |
| Distância do pré-pandemia (fev/2020) | +1,8% |
Por que a indústria desacelera
Economistas apontam uma combinação de fatores para a perda de ritmo da indústria no segundo semestre. A taxa Selic em patamar elevado — que chegou a 15% ao ano em 2025 — continua pressionando o custo do crédito para empresas e consumidores. Além disso, a incerteza do cenário externo, com tarifas de importação dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, dificulta o planejamento de investimentos.
Em junho de 2025, quando a indústria ainda registrava alta de 0,1%, o gerente da PIM-PF do IBGE, André Macedo, já alertava que a política monetária restritiva e o tarifaço norte-americano afetavam a confiança dos empresários. “Fato é que atrapalha o planejamento das empresas do setor industrial”, disse à época.
O que esperar nos próximos meses
A queda de junho reduz as chances de que a indústria brasileira feche 2026 com crescimento robusto. O mercado financeiro já revisou para baixo as projeções de expansão do PIB industrial. O Banco Central monitora o setor como indicador-chave para decisões futuras da taxa de juros.
O IBGE divulgará nesta terça-feira, 5 de agosto, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) de junho, que mede a inflação na porta da fábrica. A combinação de queda na produção e pressão de custos será analisada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de setembro.
Dados em detalhe
A PIM-PF mede a evolução da quantidade produzida nas indústrias extrativas e de transformação do Brasil. A pesquisa cobre 25 ramos industriais, 80 grupos e 789 produtos. Os dados de junho de 2026 foram coletados entre 1º de julho e 30 de julho e divulgados conforme calendário oficial do IBGE.
O resultado completo, com desagregação por setores e regiões, pode ser consultado no banco de dados Sidra do IBGE.


