Santander lucra R$ 3 bilhões no 2º trimestre, mas SANB11 cai mais de 6% após balanço

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O Santander Brasil registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,014 bilhões no segundo trimestre de 2026, queda de 17,6% em relação ao mesmo período do ano passado e de 20,4% frente aos três primeiros meses deste ano. O balanço divulgado nesta quarta-feira, 29 de julho, veio acompanhado de aumento das provisões para perdas com crédito e queda da rentabilidade, e as units SANB11 chegaram a recuar mais de 6% na abertura da Bolsa.

Os números constam da apresentação oficial dos resultados do 2T26 do Santander Brasil. O banco abriu nesta manhã a temporada de balanços dos grandes bancos brasileiros.

Por volta das 10h10, no horário de Brasília, SANB11 recuava 6,18%, a R$ 25,96, segundo acompanhamento de mercado do InfoMoney. A cotação pode mudar ao longo do pregão.

Por que o resultado desagradou?

O ponto central não está apenas na queda do lucro. O Santander terminou o trimestre com uma combinação de rentabilidade menor, aumento das provisões e redução do spread cobrado nas operações de crédito.

Indicador2T26Comparação
Lucro líquido recorrenteR$ 3,014 bilhões-17,6% em um ano
ROAE recorrente12,5%-3,8 p.p. em um ano
Margem financeiraR$ 15,341 bilhões-0,4% em um ano
Resultado de PDDR$ 7,654 bilhões+11,5% em um ano
Carteira ampliada de créditoR$ 714,769 bilhões+5,8% em um ano

O chamado ROAE, indicador que mede quanto o banco consegue gerar de resultado em relação ao patrimônio dos acionistas, caiu de 15,9% no primeiro trimestre para 12,5% no segundo. Há um ano, estava em 16,3%.

Na prática, o Santander continua emprestando mais dinheiro, mas conseguiu transformar esse crescimento em menos rentabilidade no trimestre.

Provisões cresceram 20,6% em apenas três meses

O resultado de provisões para devedores duvidosos, conhecido como PDD, chegou a R$ 7,654 bilhões. O valor representa aumento de 20,6% frente ao primeiro trimestre e de 11,5% em relação ao segundo trimestre de 2025.

Essa provisão funciona como uma proteção contábil contra empréstimos que podem não ser pagos. Quanto maior a expectativa de perdas ou a necessidade de reforçar essa proteção, maior pode ser o impacto sobre o resultado do banco.

O custo de crédito ficou em 3,81%, contra 3,73% no trimestre anterior.

O aumento das provisões foi um dos principais motivos para o lucro antes dos impostos cair para R$ 2,537 bilhões, uma redução de 44,6% em relação ao primeiro trimestre.

Inadimplência total ficou estável, mas piorou entre pessoas físicas

Há uma nuance importante nos indicadores de crédito. A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 3,3% da carteira total entre março e junho.

Mas a composição mudou.

Entre pessoas físicas, a taxa subiu de 4,9% para 5,1%. Já entre empresas, caiu de 1,8% para 1,6% no mesmo intervalo.

No atraso mais recente, de 15 a 90 dias, a taxa total recuou de 3,4% para 3,3%. Entre pessoas físicas, porém, passou de 5,2% para 5,3%.

Esses números ajudam a explicar por que olhar somente a inadimplência total de 3,3% pode esconder movimentos diferentes dentro da carteira.

Carteira cresce, mas spread fica menor

Ao mesmo tempo em que o lucro caiu, a carteira ampliada de crédito atingiu R$ 714,8 bilhões, crescimento de 5,8% em 12 meses e de 1,3% em relação a março.

Os destaques foram o financiamento ao consumo, que chegou a R$ 100,8 bilhões e avançou 15,3% em um ano, e o crédito para pequenas e médias empresas, que cresceu 11,5%, para R$ 96 bilhões.

O cartão de crédito avançou 13% em 12 meses, enquanto o crédito imobiliário cresceu 10,6%.

O problema é que a expansão veio acompanhada de menor margem. O spread anualizado do banco caiu de 10,41% no primeiro trimestre para 10,03% no segundo.

A margem financeira total ficou em R$ 15,341 bilhões, queda de 3% na comparação trimestral e praticamente estável frente ao mesmo período de 2025.

É essa combinação — mais crédito, mas menor margem e mais provisões — que ajuda a entender a reação negativa dos investidores.

SANB11 cai após resultado abaixo das expectativas

O lucro ficou abaixo das projeções de mercado. A Reuters informou que o consenso de analistas compilado pela LSEG apontava lucro de aproximadamente R$ 3,9 bilhões para o período, acima dos R$ 3,014 bilhões efetivamente registrados.

A reação foi rápida. Na abertura do pregão, SANB11 caiu mais de 6%, enquanto analistas passaram a direcionar atenção principalmente para a queda da margem financeira e o tamanho das provisões.

Há, entretanto, indicadores positivos no balanço. A carteira de crédito continua crescendo, o índice de Basileia subiu para 15,3% e o capital principal CET1 ficou em 11,2%, mantendo níveis considerados confortáveis pelo banco.

O Santander também terminou junho com 76,2 milhões de clientes, crescimento de 6% em relação ao ano anterior, e 34,4 milhões de clientes ativos.

Para os próximos trimestres, a principal questão será verificar se o reforço das provisões foi concentrado no segundo trimestre e se o Santander conseguirá recuperar os spreads sem voltar a assumir níveis maiores de risco na carteira.

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