Brasília — Os programas de subvenção criados pelo governo federal para conter a alta nos preços dos combustíveis após a guerra no Irã já custaram R$ 7,03 bilhões aos cofres públicos, segundo balanço atualizado da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado nesta segunda-feira, 3 de agosto de 2026.
Do total, quase R$ 7 bilhões foram destinados à subvenção do óleo diesel e R$ 43 milhões ao gás liquefeito de petróleo (GLP), usado no gás de cozinha. O imposto de exportação sobre o petróleo, cobrado das petroleiras desde 12 de março, é a principal fonte de receita que financia o benefício.
Como os subsídios funcionam
O governo federal criou o programa de subvenção em março deste ano, após o início dos conflitos no Oriente Médio provocar disparada nos preços internacionais do petróleo. A medida provisória que instituiu o benefício estabeleceu um valor de R$ 1,12 por litro para o diesel e R$ 850 por tonelada de GLP importado — o equivalente a R$ 11,05 por botijão de 13 kg.
A gasolina também recebe subsídio, de R$ 0,44 por litro, mas a ANP não divulga o saldo orçamentário desse derivado. Os repasses são feitos diretamente aos produtores e importadores habilitados, que devem comprovar o repasse do desconto ao preço final de venda.
| Derivado | Subsidio por unidade | Valor total até julho |
|---|---|---|
| Diesel | R$ 1,12/litro | R$ 6,99 bilhões |
| GLP (gás de cozinha) | R$ 850/tonelada | R$ 43 milhões |
| Gasolina | R$ 0,44/litro | Não divulgado |
| Total confirmado | — | R$ 7,03 bilhões |
Governo recuou de corte após retomada dos conflitos
O governo havia anunciado corte progressivo nos subsídios e chegou a retirar uma parcela de R$ 0,32 por litro sobre o diesel no início de julho, equivalente aos impostos federais suspensos. A medida, no entanto, foi revista após a retomada dos conflitos no Irã no fim de julho, que voltou a pressionar as cotações internacionais.
Atualmente, estão vigentes a subvenção de R$ 1,12 por litro para o diesel e de R$ 850 por tonelada para o GLP. A MP que criou o benefício prevê que o governo pode interromper ou alterar o valor ao final de cada período de dois meses, mediante aviso prévio de 15 dias aos beneficiários.
Petrobras é a maior beneficiária
A Petrobras, maior fornecedora de combustíveis do país, é a principal beneficiária dos repasses. Em 22 de julho, a estatal informou que já havia recebido R$ 6,2 bilhões em subvenções. O valor corresponde à maior parte dos desembolsos totais.
Apesar da recente queda no preço do barril do Brent para cerca de US$ 83 nesta segunda-feira, os preços internos dos combustíveis seguem com forte defasagem em relação às cotações internacionais. Na abertura do mercado desta terça, o diesel no Brasil custava R$ 1,86 por litro a menos do que a paridade de importação calculada pela Abicom. Nas refinarias da Petrobras, a diferença era de R$ 2,26 por litro.
O que pode acontecer agora
A equipe econômica avalia a possibilidade de reduzir o valor das subvenções caso os preços do petróleo se estabilizem. O Ministério da Fazenda já sinalizou que deve manter o benefício pelo menos até o fim de agosto, com possível revisão em setembro. O Congresso Nacional ainda analisa a medida provisória que instituiu o programa.
A ANP informou que continuará publicando atualizações mensais dos desembolsos. O governo federal defende que a política de subsídios é fiscalmente neutra, já que os recursos provêm do imposto de exportação sobre o petróleo — tributo que teve arrecadação recorde com a alta das cotações internacionais.


