A Prefeitura de Manaus registrou 414 atendimentos de pacientes com sintomas relacionados à exposição ao estireno até as 15h de sexta-feira, 17 de julho, enquanto as duas autuações municipais aplicadas à Innova somam R$ 9.901.600. O vazamento começou no final da tarde de quarta-feira, 15 de julho, na Unidade IV da empresa, no Distrito Industrial.
Na atualização ambiental mais recente, publicada às 16h51 de sexta-feira, a Prefeitura de Manaus informou que drones com câmeras térmicas identificaram fissuras em parte do tanque e a continuidade da liberação de estireno. Equipes municipais permaneceram no local para monitorar o ambiente e auxiliar no resfriamento da estrutura.
Monitoramento encontrou fissuras e continuidade do vazamento

Segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), dois drones de alta precisão foram empregados para avaliar o tanque. A operação também envolveu profissionais da área química, equipes de saúde, Defesa Civil e outros órgãos reunidos no gabinete de crise.
Dois caminhões-pipa foram disponibilizados para ajudar no resfriamento. De acordo com a prefeitura, o controle da temperatura é necessário para evitar novas reações no produto armazenado.
A recomendação oficial é evitar a área próxima à rua Javari e às indústrias diretamente atingidas. Em caso de forte odor químico, a população deve seguir as orientações das equipes de segurança e não ultrapassar bloqueios ou áreas isoladas.
Manaus contabilizou 414 atendimentos
O levantamento epidemiológico da Secretaria Municipal de Saúde reuniu registros das redes pública, municipal e particular entre o início da ocorrência e as 15h de sexta-feira.
- 200 atendimentos ocorreram na rede hospitalar particular;
- 157 foram registrados em prontos-socorros e serviços de pronto atendimento da rede pública;
- 57 ocorreram em unidades da rede municipal de saúde.
A maioria dos pacientes apresentou sintomas leves, como ardência nos olhos e desconforto respiratório, e recebeu alta. No horário de fechamento do boletim, duas pessoas permaneciam internadas, uma delas em unidade de terapia intensiva.
Um óbito foi registrado durante o período, mas a possível relação com o vazamento ainda estava sob investigação do Centro de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde de Manaus. Portanto, não havia confirmação oficial de que a exposição ao estireno tenha causado a morte.
Quais sintomas exigem atenção?
A Semsa informou que a exposição a gases, vapores ou aerossóis químicos pode provocar ardência, lacrimejamento ou vermelhidão nos olhos, além de irritação no nariz e na garganta.
Outros sinais mencionados pelas autoridades são tosse, falta de ar, chiado no peito, respiração acelerada, dor de cabeça, tontura, fraqueza, náuseas, vômitos e desmaio. Algumas manifestações respiratórias podem aparecer ou piorar horas depois da exposição.
Pessoas com sintomas leves e que estejam respirando normalmente devem procurar a unidade de saúde mais próxima e informar que houve possível contato com o produto químico. Em casos de falta de ar, dor no peito, desmaio, alteração da consciência ou piora rápida, o Samu deve ser acionado pelo número 192.
O que fazer ao perceber forte odor químico?
- afastar-se da área onde o odor está mais intenso;
- respeitar bloqueios e orientações das autoridades;
- manter os vidros do veículo fechados e interromper a entrada de ar externo;
- fechar portas e janelas quando o odor estiver vindo do ambiente externo;
- desligar aparelhos que tragam ar da rua para dentro do imóvel;
- não acender fósforos, cigarros, velas ou outras fontes de chama;
- retirar prioritariamente crianças, gestantes, idosos e pessoas com doenças respiratórias ou cardíacas das áreas com odor.
Se o ambiente interno estiver contaminado e o ar externo estiver mais limpo, a orientação é ventilar o imóvel. A decisão deve considerar de onde vem o odor e as instruções das equipes que acompanham a ocorrência.
Empresa atribuiu ocorrência à elevação de temperatura
Em nota divulgada após o início do incidente, a Innova afirmou que houve elevação anormal da temperatura do estireno líquido em um dos tanques. Segundo a versão apresentada pela empresa, os dispositivos de segurança liberaram vapores como parte do protocolo de emergência.
A declaração inicial da companhia deve ser considerada em conjunto com as atualizações posteriores dos órgãos públicos. Na sexta-feira, a fiscalização municipal ainda relatava fissuras, necessidade de resfriamento e continuidade da liberação do produto.
Autuações municipais somam quase R$ 10 milhões
A primeira autuação da Semmas foi de R$ 4.554.300, relacionada à poluição do ar pela emissão de gases. A segunda foi de R$ 5.347.300 e teve como fundamento informado pela prefeitura a poluição de corpo hídrico e do solo.
Somadas, as duas penalidades municipais chegam a R$ 9.901.600. A empresa poderá apresentar sua defesa e os relatórios técnicos exigidos dentro dos procedimentos administrativos aplicáveis.
As causas, os possíveis danos ambientais e as responsabilidades pelo episódio ainda dependem das investigações e dos laudos técnicos. A situação deve ser novamente atualizada quando os órgãos responsáveis divulgarem a interrupção completa do vazamento, novos resultados ambientais ou alterações no número de pacientes.


