Ar-condicionado em 17°C ou 24°C: qual temperatura gasta menos energia?

Ajustar o ar-condicionado para 24°C tende a gastar menos que usar 17°C. Entenda o termostato e como reduzir o consumo de energia.

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Usar o ar-condicionado em 24°C tende a consumir menos energia do que manter o aparelho em 17°C, porque a configuração mais baixa exige que o sistema trabalhe por mais tempo para alcançar e preservar a temperatura escolhida. Colocar o controle no menor valor disponível também não é um atalho garantido para resfriar o cômodo mais rapidamente.

A temperatura indicada no controle funciona como uma meta para o ambiente. O aparelho mede as condições do cômodo e aciona ou ajusta o compressor conforme a diferença entre a temperatura atual e a selecionada.

Em uma cidade quente como Manaus, atingir 17°C pode ser difícil, especialmente quando o cômodo recebe sol, possui portas abertas, tem isolamento ruim ou utiliza um aparelho com capacidade inferior à necessária. Nessas condições, o compressor pode permanecer funcionando por longos períodos.

Por que 17°C tende a gastar mais energia?

Ar-condicionado
Fonte: unsplash

Quando o usuário escolhe 17°C, ele está pedindo que o equipamento continue retirando calor do ambiente até se aproximar desse valor. Se o cômodo estiver a 30°C, por exemplo, a diferença a ser vencida será muito maior do que em uma configuração de 24°C.

Nos aparelhos convencionais, o compressor geralmente trabalha até alcançar a temperatura selecionada e depois interrompe temporariamente o funcionamento. Se a meta for muito baixa e não puder ser atingida, o sistema pode permanecer ligado por mais tempo.

Nos modelos inverter, o compressor consegue variar sua velocidade. Mesmo assim, escolher uma temperatura muito baixa pode fazer o aparelho operar em potência elevada durante mais tempo. A tecnologia inverter melhora a eficiência, mas não elimina o impacto da temperatura escolhida.

Colocar em 17°C faz o cômodo gelar mais rápido?

Na maioria das situações domésticas, reduzir o termostato até 17°C não faz o aparelho produzir instantaneamente um ar muito mais frio. A configuração informa principalmente a temperatura que o equipamento deve tentar alcançar.

Alguns modelos inverter podem aumentar a potência quando identificam uma diferença grande de temperatura. Isso pode alterar o ritmo inicial de funcionamento, mas não significa que manter o ajuste em 17°C seja a opção mais econômica.

Para resfriar o cômodo com eficiência, é mais importante utilizar um aparelho com capacidade adequada, manter portas e janelas fechadas e impedir que a luz solar aqueça continuamente o ambiente.

Qual é a temperatura mais econômica?

Não existe uma configuração única que sirva para todas as pessoas e ambientes. Entretanto, temperaturas próximas de 23°C ou 24°C costumam oferecer um equilíbrio entre conforto térmico e consumo.

A cartilha do consumidor de energia consciente do Ministério de Minas e Energia apresenta um exemplo de redução de consumo que inclui a mudança do ar-condicionado de 22°C para 24°C, combinada com outras medidas de eficiência.

Esse exemplo não significa que todas as residências economizarão o mesmo percentual. O consumo depende da potência do aparelho, da tecnologia utilizada, do tamanho do ambiente, do isolamento, da temperatura externa e do número de horas de funcionamento.

O que mais aumenta o consumo do aparelho?

A temperatura selecionada é apenas um dos fatores. O uso adequado do ar-condicionado também depende das condições do aparelho e do ambiente onde ele está instalado.

  • Filtro sujo: dificulta a passagem do ar e reduz o desempenho;
  • portas e janelas abertas: permitem a entrada contínua de calor;
  • incidência direta de sol: aquece paredes, móveis e janelas;
  • capacidade inadequada: faz o equipamento trabalhar sem conseguir climatizar corretamente;
  • falta de manutenção: pode reduzir a eficiência e aumentar o tempo de funcionamento;
  • ligações muito prolongadas: elevam o consumo mesmo em aparelhos eficientes.

Como saber se um ar-condicionado é econômico?

Antes da compra, o consumidor deve comparar aparelhos de capacidade semelhante. A classificação de eficiência e o consumo anual estimado aparecem na Etiqueta Nacional de Conservação de Energia.

O Inmetro mantém uma tabela atualizada dos condicionadores de ar autorizados a utilizar a etiqueta. A consulta permite comparar marcas e modelos antes da compra.

Também é necessário escolher a capacidade correta, medida em BTU por hora. Um aparelho pequeno para o tamanho do ambiente pode trabalhar continuamente. Um equipamento superdimensionado, por outro lado, pode custar mais e não necessariamente representar a melhor escolha.

Como reduzir o consumo sem abrir mão do conforto?

  1. Comece com uma configuração próxima de 23°C ou 24°C;
  2. mantenha portas e janelas fechadas durante o funcionamento;
  3. use cortinas ou persianas para reduzir a entrada de sol;
  4. limpe os filtros na periodicidade indicada pelo fabricante;
  5. programe o temporizador para evitar funcionamento desnecessário;
  6. verifique se a capacidade do aparelho corresponde ao ambiente;
  7. compare a etiqueta de eficiência antes de comprar um equipamento novo.

A atenção ao uso é relevante porque a climatização tem peso crescente na demanda elétrica brasileira. Estudo da Empresa de Pesquisa Energética mostra que o aumento do uso de aparelhos de ar-condicionado afeta tanto o consumo das residências quanto a necessidade de geração e distribuição nos horários de maior demanda.

Na prática, 24°C tende a ser mais econômico do que 17°C. O melhor resultado, porém, surge da combinação entre temperatura moderada, aparelho eficiente, ambiente bem fechado e manutenção adequada.

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