Mortes violentas caem 8,2% no Brasil; Amazonas tem maior redução do país

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O Brasil registrou 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, uma redução de 8,2% na comparação com o ano anterior. O Amazonas apresentou a maior queda percentual entre os estados, com redução de 32,5%, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira, 23 de julho de 2026.

A taxa nacional passou de 20,8 para 19,1 mortes por 100 mil habitantes. Foi a primeira vez que o indicador ficou abaixo de 20 desde o início da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2012.

O levantamento completo pode ser consultado na página oficial do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. A publicação reúne informações fornecidas pelas secretarias estaduais de Segurança Pública, polícias e outros órgãos oficiais.

Amazonas teve a maior queda percentual

O Amazonas passou de 1.173 mortes violentas intencionais em 2024 para 799 em 2025. A taxa estadual caiu de 27,4 para 18,5 ocorrências por 100 mil habitantes, uma redução de 32,5%.

Esse foi o maior recuo percentual entre as 27 unidades da Federação. Na sequência aparecem Rio Grande do Sul, com queda de 25,7%, Mato Grosso, com 23,2%, Piauí, com 15,7%, e Paraná, com 15,5%.

Apesar da redução, o número representa registros de mortes ocorridas durante todo o ano e não significa que a violência tenha diminuído da mesma maneira em todos os municípios ou bairros do Amazonas.

O anuário apresenta os dados estaduais consolidados, mas não detalha nessa tabela quais municípios contribuíram mais para a redução. Comparações locais dependem da consulta a informações das autoridades estaduais e municipais.

Brasil teve 3.445 mortes a menos

Em números absolutos, o total nacional caiu de 44.220 mortes violentas intencionais em 2024 para 40.775 em 2025. A diferença é de 3.445 vítimas.

Na comparação com 2012, primeiro ano da série, a taxa nacional recuou aproximadamente 31%. Naquele ano, o Brasil havia registrado 54.694 mortes violentas intencionais.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública afirma que o país atingiu com dois anos de antecedência a meta de redução dos homicídios prevista para 2027 na Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social.

Sete estados registraram aumento

A redução nacional não ocorreu de maneira uniforme. Sete unidades da Federação apresentaram aumento na taxa de mortes violentas intencionais:

  • Rio Grande do Norte: alta de 19,6%;
  • Rondônia: alta de 7,5%;
  • Acre: alta de 6,3%;
  • Distrito Federal: alta de 5,8%;
  • Roraima: alta de 5,8%;
  • Mato Grosso do Sul: alta de 4,9%;
  • Rio de Janeiro: alta de 2,1%.

O Rio Grande do Norte apresentou a maior alta percentual, passando de 840 registros em 2024 para 1.007 em 2025. A taxa estadual subiu de 24,4 para 29,1 por 100 mil habitantes.

O que entra no indicador de mortes violentas?

A categoria Mortes Violentas Intencionais, identificada pela sigla MVI, reúne diferentes ocorrências em que há intenção definida de provocar a morte.

O indicador considera homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais. Os feminicídios aparecem dentro dos registros de homicídios dolosos, mas também são analisados separadamente.

O objetivo da classificação é oferecer uma visão mais ampla da violência letal do que a observação isolada dos homicídios. A metodologia e as tabelas por estado estão disponíveis no relatório completo do Anuário de Segurança Pública de 2026.

Homicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte caíram

O país registrou 32.914 vítimas de homicídio doloso em 2025, queda de 10% em relação às 36.440 contabilizadas no ano anterior.

Os latrocínios, roubos que resultam em morte, passaram de 969 para 807 vítimas, recuo de 17%. As lesões corporais seguidas de morte caíram de 774 para 659 casos, redução de 15,2%.

A queda desses indicadores ajudou a reduzir o total nacional. Entretanto, outras formas de violência apresentaram crescimento e impedem uma interpretação de melhora uniforme.

Feminicídios aumentaram 4%

O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025. O total representa crescimento de 4% em relação ao ano anterior e uma taxa de 1,4 vítima por 100 mil mulheres.

O feminicídio é o homicídio de uma mulher relacionado à violência doméstica e familiar, ao menosprezo ou à discriminação pela condição feminina.

O aumento ocorreu mesmo durante a redução geral dos homicídios. Para o Fórum, o resultado mostra que a queda da violência letal não beneficia igualmente todos os grupos sociais.

Mortes decorrentes de intervenções policiais cresceram

Outro indicador que apresentou alta foi o de mortes decorrentes de intervenções policiais. O total passou de 6.237 registros em 2024 para 6.602 em 2025, aumento de 5,4%.

Esses registros corresponderam a 16,2% de todas as mortes violentas intencionais do país. Em termos proporcionais, aproximadamente uma em cada seis mortes incluídas no indicador nacional decorreu de intervenção policial.

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública afirma que 2025 apresentou o maior número de mortes por intervenção policial da série disponível, mesmo com a redução dos demais indicadores de violência letal.

Vítimas são majoritariamente homens e pessoas negras

Os dados de perfil mostram que 90% das vítimas de mortes violentas intencionais eram homens. Entre as mortes decorrentes de intervenções policiais, o percentual masculino chegou a 99,3%.

Pessoas negras representaram 79,7% das vítimas de mortes violentas intencionais e 79,9% das vítimas de homicídios dolosos.

Os números mostram que a violência letal não se distribui igualmente entre a população. Sexo, raça, idade, território e condições sociais influenciam o risco de vitimização.

Dados dependem dos registros estaduais

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública utiliza registros administrativos produzidos pelos órgãos estaduais. Por isso, diferenças na classificação, investigação, qualidade dos sistemas e atualização das bases podem afetar comparações entre os estados.

O próprio levantamento apresenta notas metodológicas e atualizações de dados divulgados em edições anteriores. Os números devem ser interpretados como registros oficiais consolidados, e não como uma medição capaz de identificar todos os crimes que possam ter ocorrido sem registro.

A queda de 8,2% representa uma mudança relevante na série histórica brasileira. Ao mesmo tempo, o crescimento dos feminicídios, da letalidade policial e dos indicadores em sete estados revela que o cenário da segurança pública continua desigual.

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