Nova fase da Operação Sem Desconto mira fraudes no INSS; saiba como se proteger

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Brasília — A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Sem Desconto nesta segunda-feira, 4 de agosto de 2026, ampliando as investigações sobre o esquema de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O caso, que já soma prejuízos estimados em R$ 6,3 bilhões, teve entre suas vítimas cerca de 4,1 milhões de aposentados e pensionistas que tiveram valores descontados de seus benefícios sem autorização válida.

De acordo com a Transparência Internacional, auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) apontaram que até 98% dos beneficiários entrevistados disseram não ter autorizado os descontos e que 71,1% das cobranças não tinham documentação hábil. O esquema funcionou entre 2019 e 2025 por meio de sindicatos e associações que realizavam descontos associativos em massa.

Como funcionava o esquema

O golpe consistia em descontar mensalidades de associações e sindicatos diretamente nos benefícios previdenciários, sem autorização expressa dos segurados. Entidades como a Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), o Sindicato de Aposentados e Pensionistas (Sindnapi) e a Associação Brasileira de Aposentados e Pensionistas da Nação (Abapen) estão sob investigação.

A CGU identificou casos de filiações fictícias envolvendo pessoas mortas, analfabetos, indígenas de comunidades isoladas e até uma criança de 9 anos. O operador central do esquema, o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, é suspeito de movimentar cerca de R$ 53,5 milhões por meio de empresas ligadas a entidades associativas.

Entidade investigadaSuspeita
ContagDescontos não autorizados, filiações em massa
SindnapiDescontos indevidos, comissões a dirigentes
AbapenFiliações fictícias, repasse de valores
ConaferDescontos não autorizados em benefícios rurais

Golpe da Prova de Vida volta a circular

Em meio às investigações, criminosos voltaram a aplicar o golpe da falsa visita domiciliar da Prova de Vida em 2026. Os fraudadores se passam por servidores do INSS e agendam visitas à casa de aposentados para “atualizar cadastros” ou “confirmar dados biométricos”. O objetivo é obter documentos, senhas bancárias e dados pessoais.

O INSS alerta que a Prova de Vida é feita exclusivamente em agências bancárias, casas lotéricas ou pelo aplicativo Meu INSS. Nunca por visita domiciliar. Quem receber contato suspeito deve denunciar pelo telefone 135 ou pela ouvidoria do instituto.

Como verificar se você foi vítima

  • Acesse o aplicativo Meu INSS ou o site meu.inss.gov.br.
  • Consulte o extrato de pagamento e verifique descontos com nomes de associações, sindicatos ou siglas desconhecidas.
  • Procure cobranças com descrições como “CONTRIB”, “MENSALIDADE” ou “FILIAÇÃO”.
  • Se identificar descontos não reconhecidos, registre reclamação pelo 135 ou procure a Defensoria Pública.
  • O governo federal criou um sistema de cadastro para ressarcimento dos valores descontados indevidamente entre março de 2020 e março de 2025.

A CPMI do INSS, que investigou o esquema, terminou sem relatório aprovado em março de 2026. O texto do relator, deputado Alfredo Gaspar, foi rejeitado por 19 votos a 12. Entre os indiciados estavam ex-ministros, dirigentes de estatais e o filho do presidente da República, Fábio Luís Lula da Silva. A PF, no entanto, continua as investigações por meio de inquéritos autônomos.

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