Fim da escala 6×1: Senado deixa votação para após eleições

O Senado deixou para depois das eleições a votação da proposta que prevê o fim da escala 6×1 e reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

A PEC 221/2019 foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na quarta-feira (2), mas não chegou ao Plenário. Na quinta-feira (3), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que a votação ocorreria “após as eleições”.

Na prática, isso significa que a escala 6×1 continua valendo. Nenhuma empresa precisa alterar a jornada dos funcionários neste momento, porque a mudança ainda depende da aprovação definitiva da proposta.

Senador Omar Aziz durante reunião da CCJ que aprovou a PEC do fim da escala 6x1
O relator Omar Aziz durante a reunião da CCJ que aprovou a PEC 221/2019 — Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Por que a votação do fim da escala 6×1 foi adiada?

A intenção inicial da base do governo era votar a PEC no Plenário logo depois da análise na CCJ. O plano não avançou porque não havia segurança de que os votos necessários seriam alcançados.

Segundo a Agência Brasil, a oposição atuou para esvaziar o Plenário e a base governista decidiu não arriscar uma votação sem garantia de aprovação.

Uma emenda à Constituição exige o apoio de pelo menos 49 dos 81 senadores em cada um dos dois turnos de votação.

“Vossa excelência estará aqui votando, após as eleições, o fim da escala 6×1 no plenário do Senado Federal.”

Davi Alcolumbre, presidente do Senado

A declaração foi feita em resposta ao senador Paulo Paim (PT-RS), durante sessão do Senado, e foi registrada pela Agência Brasil.

O que muda se a PEC for aprovada?

Infográfico oficial compara jornada atual com regras previstas pela PEC do fim da escala 6x1
Infográfico oficial mostra a transição da escala 6×1 para dois dias de repouso e jornada máxima de 40 horas — Arte: Agência Senado

O texto aprovado na CCJ mantém a versão que já passou pela Câmara dos Deputados. A proposta reduz a jornada semanal, aumenta o descanso e protege a remuneração.

RegraHojeCom a PEC
Jornada máxima semanal44 horas40 horas
Escala padrãoAté 6 dias de trabalho para 1 de descanso5 dias de trabalho para 2 de descanso
Repouso semanalAo menos 1 dia2 dias remunerados
DomingoDepende da atividadeUm dos repousos preferencialmente no domingo
SalárioRegras atuaisSem redução por causa da nova jornada

Segundo a Agência Senado, a transição ocorrerá em duas etapas. Dois meses após a publicação da emenda, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Um ano depois dessa etapa, chegará ao limite definitivo de 40 horas.

Dois dias de folga serão obrigatórios?

A PEC estabelece dois dias de repouso semanal remunerado. Um deles deverá ocorrer preferencialmente aos domingos.

Isso não significa que todos os trabalhadores terão obrigatoriamente sábado e domingo livres. Convenções e acordos coletivos poderão organizar escalas diferentes, desde que seja mantida a média de dois dias de descanso por semana e pelo menos um repouso a cada sete dias.

Senadores reunidos na Comissão de Constituição e Justiça durante análise da PEC sobre jornada de trabalho
CCJ do Senado durante a análise da PEC que reduz a jornada e prevê dois dias de folga — Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

Nem todos os trabalhadores entram na mesma regra

O texto contém exceções. As novas regras de duração e controle da jornada não se aplicam da mesma forma a empregados com diploma de nível superior que recebam pelo menos 2,5 vezes o teto do Regime Geral de Previdência Social, salvo se houver decisão do empregador ou previsão coletiva.

A PEC também não aplica essas regras de jornada aos servidores públicos. Há ainda previsão de regulamentação específica para determinadas atividades e de transição para contratos da administração pública.

Proposta divide senadores

Defensores da mudança argumentam que jornadas menores podem ampliar o tempo destinado à família, ao descanso e à qualificação profissional. O relator, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou que mais de 37 milhões de trabalhadores poderão ser beneficiados e destacou o peso da dupla jornada sobre as mulheres.

Parlamentares críticos ao texto, por outro lado, alertam para possíveis impactos nos custos das empresas, nos preços e na contratação de trabalhadores. Também defendem maior espaço para negociação de escalas entre empregados e empregadores.

O que falta para a escala 6×1 acabar?

  • Primeiro turno: a PEC precisa obter pelo menos 49 votos favoráveis no Plenário do Senado.
  • Segundo turno: são necessários novamente pelo menos 49 votos.
  • Texto sem mudanças: se o Senado mantiver a versão aprovada pela Câmara, a PEC poderá seguir para promulgação.
  • Alterações de mérito: mudanças podem obrigar o texto a retornar à Câmara dos Deputados.

A previsão mencionada após o adiamento é de nova tentativa durante um período de esforço concentrado em outubro. Até que o Plenário aprove a PEC, porém, não existe data para o fim da escala 6×1 começar a valer.

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