Edson Fachin defende código de ética e fim do inquérito das fake news

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, defendeu nesta sexta-feira (4) o avanço de um código de ética para a Corte e o encerramento do chamado inquérito das fake news, aberto em 2019.

As declarações foram feitas em meio à crise envolvendo investigações relacionadas ao Banco Master e questionamentos entre integrantes do próprio Supremo.

Fachin afirmou que qualquer resposta institucional deverá respeitar a Constituição, o devido processo legal e as garantias dos envolvidos. Ao comentar a situação, resumiu sua posição: “a gravidade dos fatos não autoriza atalhos”.

Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, durante sessão em 2026
Imagem de arquivo de Edson Fachin, presidente do STF, em agosto de 2026 — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Fachin coloca três medidas entre prioridades

Em discurso durante cerimônia no Palácio do Planalto, Fachin relacionou os acontecimentos recentes a três objetivos de sua gestão: adoção de um código de ética, encerramento do inquérito das fake news e modernização do sistema de Justiça.

O posicionamento foi divulgado oficialmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

“A gravidade dos fatos não autoriza atalhos.”

Edson Fachin, presidente do STF
TemaSituação
Código de ética do STFProposta em elaboração, sob relatoria de Cármen Lúcia
Inquérito das fake newsContinua formalmente em andamento
Modernização do JudiciárioApontada como prioridade da gestão
Caso MasterProcedimentos e manifestações ainda estão sob análise

Código de ética já vinha sendo preparado

A ideia de criar novas regras de integridade para o Supremo não surgiu nesta semana. Fachin já havia anunciado o tema como prioridade durante a abertura do Ano Judiciário, em 2 de fevereiro de 2026.

Na ocasião, o STF informou que a ministra Cármen Lúcia seria a relatora da proposta. O objetivo anunciado é consolidar normas de conduta, ampliar a transparência e prevenir conflitos de interesse.

Portanto, a fala desta sexta-feira representa uma reafirmação e uma tentativa de acelerar uma agenda já existente, e não o anúncio da criação imediata de novas regras.

Edifício do Supremo Tribunal Federal na Praça dos Três Poderes em Brasília
Imagem ilustrativa da sede do Supremo Tribunal Federal, na Praça dos Três Poderes, em Brasília — Foto: Leandro Neumann Ciuffo/Wikimedia Commons

O que é o inquérito das fake news?

O Inquérito 4.781 foi instaurado em 2019 para investigar notícias fraudulentas, denunciações caluniosas, ameaças e outras infrações dirigidas ao Supremo, a seus ministros e familiares, além de possíveis estruturas de financiamento e divulgação de ataques.

A investigação é relatada pelo ministro Alexandre de Moraes e se tornou um dos procedimentos de maior repercussão política e jurídica do STF nos últimos anos.

Apesar da manifestação de Fachin pelo encerramento, o inquérito não foi formalmente encerrado. Até a última checagem desta reportagem, não havia data oficial para sua conclusão.

Fachin já defendeu a validade do inquérito em 2020

Há um componente histórico importante na posição atual. Em 2020, Fachin foi relator da ação que questionava a abertura do Inquérito 4.781 e votou pela legalidade e constitucionalidade da investigação.

O Plenário do Supremo confirmou esse entendimento por dez votos a um, conforme registro oficial do STF.

As duas posições não são necessariamente incompatíveis. Considerar constitucional a abertura de uma investigação em 2019 não impede a avaliação, anos depois, de que ela deva ser concluída após o cumprimento de suas finalidades.

Entenda a crise ligada ao caso Banco Master

A tensão aumentou após a divulgação de material reunido em investigações da Polícia Federal relacionadas ao Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo a Agência Brasil, o material contém menções e mensagens atribuídas a contatos envolvendo Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. O conteúdo, a regularidade da investigação e seus efeitos processuais ainda são objeto de análise.

Alexandre de Moraes sentado durante cerimônia oficial em Brasília em julho de 2026
Imagem de arquivo de Alexandre de Moraes durante cerimônia oficial em julho de 2026 — Foto: Luiz Silveira/STF

Durante a semana, André Mendonça encaminhou questionamentos relacionados à condução das apurações. Alexandre de Moraes, por sua vez, apresentou acusações sobre a atuação de Mendonça em investigações ligadas às operações Sem Desconto e Compliance Zero.

Fachin abriu procedimento e pediu explicações

Na quinta-feira (3), Fachin abriu um procedimento para esclarecer possíveis irregularidades nas investigações e concedeu cinco dias úteis para manifestações de Alexandre de Moraes, André Mendonça, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A medida foi registrada pela Agência Brasil.

Depois, Moraes encaminhou à Presidência do STF documentos com acusações contra Mendonça. Na sexta-feira (4), Fachin determinou que esse material fosse retirado do Inquérito 4.781 e incorporado ao procedimento separado sob responsabilidade da Presidência da Corte.

Fachin também concedeu cinco dias para que Mendonça e Gonet se manifestem sobre as acusações apresentadas por Moraes. Segundo a decisão, as providências servem para instruir o caso e não antecipam qualquer conclusão sobre responsabilidade ou mérito.

O que acontece agora?

  • Manifestações: autoridades envolvidas deverão prestar os esclarecimentos solicitados pela Presidência do STF.
  • Análise: Fachin deverá avaliar as informações antes de decidir quais providências processuais serão adotadas.
  • Plenário: questões relacionadas às investigações poderão ser levadas ao colegiado no momento considerado adequado.
  • Inquérito 4.781: apesar da defesa pública pelo encerramento, continua aberto até decisão formal.
  • Código de ética: a proposta continua em elaboração sob relatoria de Cármen Lúcia.

Em manifestação oficial publicada em 2 de setembro, Fachin já havia afirmado que a autoridade do cargo não concede privilégios e que os fatos seriam tratados com serenidade, responsabilidade e respeito aos procedimentos institucionais.

A nota está disponível no site oficial do STF. Por enquanto, as apurações continuam e não há decisão definitiva sobre as responsabilidades discutidas na crise.

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