Brasília — A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026, uma nova fase da Operação Sem Desconto que investiga descontos irregulares em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ao todo, foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão.
Entre os alvos estão a esposa, a filha e duas irmãs do senador Weverton Rocha (PDT-MA), segundo informações da PF divulgadas em 4 de agosto de 2026. Também foi alvo da operação o advogado Willer Tomaz. Os mandados judiciais foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com o ministro André Mendonça como relator das investigações.
O que investiga a nova fase
Segundo nota da PF divulgada nesta terça-feira, 4 de agosto de 2026, esta etapa da operação concentra-se em suspeitas de lavagem de dinheiro. A corporação apura indícios de que recursos ligados ao esquema de descontos indevidos teriam sido movimentados por meio de empresas, contas de terceiros e operações em dinheiro vivo, com o objetivo de ocultar a origem e o destino dos valores.
Durante as diligências, os policiais encontraram uma máquina de contar dinheiro na casa de um dos alvos. A PF busca documentos, equipamentos eletrônicos e registros bancários que possam esclarecer o fluxo de recursos e o papel de cada investigado.
Quem é Weverton Rocha
Weverton Rocha é senador pelo PDT do Maranhão e ocupa o cargo de vice-líder do governo no Senado Federal. Ele já havia sido alvo de mandado de busca e apreensão em outra fase da Operação Sem Desconto em dezembro de 2025, conforme registros da PF.
Na ocasião, a PF apontou indícios de ligação entre o parlamentar e Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos operadores centrais do esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. O senador negou envolvimento e afirmou que os encontros trataram de pauta legislativa.
O esquema de fraudes no INSS
A Operação Sem Desconto investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões do INSS. Entidades sindicais e associativas são suspeitas de inserir cobranças mensais nos contracheques de beneficiários sem autorização válida.
De acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), auditorias indicaram que até 98% dos beneficiários entrevistados não autorizaram os descontos. A estimativa é que o esquema tenha desviado cerca de R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024, conforme apurações da PF e da CGU.
| Fase | Data | Mandados | Alvos |
|---|---|---|---|
| 1ª fase | Abril de 2025 | Mais de 200 | Entidades associativas e servidores |
| Fase posterior | Dezembro de 2025 | Busca e apreensão | Senador Weverton Rocha |
| Nova fase | 4 de agosto de 2026 | 18 buscas e apreensões | Familiares de Weverton Rocha e Willer Tomaz |
O que dizem os envolvidos
O advogado Willer Tomaz, alvo da operação desta terça-feira, 4 de agosto de 2026, divulgou nota afirmando que não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e que não possui vínculo com o esquema de fraudes previdenciárias. Ele sustentou que a operação decorre do fato de ser proprietário de uma aeronave utilizada pelo senador Weverton Rocha em viagem particular.
Em nota enviada à imprensa, Tomaz declarou que a disponibilização da aeronave teve caráter pessoal e amistoso, sem relação com os fatos investigados. Ele reiterou que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O que acontece agora
Os materiais apreendidos durante os 18 mandados de busca e apreensão serão analisados pela perícia da PF. O inquérito segue sob sigilo do STF, com o ministro André Mendonça como relator. A corporação não descarta novas fases da operação caso novos indícios sejam encontrados.
O senador Weverton Rocha não é alvo direto desta fase da operação, segundo a PF. Os mandados atingiram exclusivamente familiares do parlamentar e o advogado Willer Tomaz. O PDT e o Senado Federal ainda não se pronunciaram oficialmente sobre o caso.


