Os principais rios que compõem a Bacia do Rio Amazonas mantêm um processo regular de vazante e registram níveis dentro da faixa de normalidade para a época do ano no início de agosto de 2026. A confirmação consta no 30º Boletim de Monitoramento Hidrológico divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), instituição pública responsável pelo acompanhamento da Rede Hidrometeorológica Nacional em parceria com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
A análise técnica aponta que o ritmo de redução das cotas acompanha a transição climatológica entre a estação chuvosa e a estiagem na Amazônia Ocidental. O comportamento estável observado na calha principal afasta, neste momento, indicadores de aceleração atípica na descida das águas do Rio Negro, Solimões e Amazonas.
Comportamento das cotas nos rios Negro, Solimões e Amazonas
Em Manaus, o Rio Negro registrou uma diminuição semanal de 30 centímetros, atingindo a marca de 27,60 metros na estação de monitoramento. No curso do Rio Solimões, o município de Tabatinga indicou uma redução de 42 centímetros no mesmo intervalo, alcançando a cota de 6,45 metros. Mais abaixo na mesma calha, em Manacapuru, a régua fluviométrica apontou recuo de 27 centímetros, situando-se em 18,37 metros.
Ao longo da calha do Rio Amazonas, o movimento de vazante permaneceu constante: a estação do Careiro registrou descida de 28 centímetros (15,27 metros), enquanto Itacoatiara teve declínio de 26 centímetros, chegando a 12,88 metros. Na bacia do Rio Purus, o município de Beruri acompanhou a tendência do Solimões e teve retração de 31 centímetros na semana, registrando a marca de 19,58 metros.
A evolução das medições reforça a necessidade de acompanhamento diário das condições meteorológicas estaduais, considerando dados históricos sobre os efeitos de fenômenos como o El Niño e o risco de secas e incêndios na Amazônia ao longo do segundo semestre.
Níveis na Bacia do Rio Branco e no Rio Madeira
Apesar da predominância de valores dentro da média no Amazonas, o monitoramento do SGB aponta uma exceção relevante na Bacia do Rio Branco, localizada em Roraima. Trata-se da única sub-bacia monitorada que opera abaixo da faixa de normalidade para o período. A estação de Boa Vista registrou cota de 2,23 metros após baixar 52 centímetros em uma semana, enquanto Caracaraí teve descida de 72 centímetros, marcando 3,23 metros.
Na Bacia do Rio Madeira, o trecho localizado em Humaitá manteve o processo regular de vazante. Na porção superior do rio, em Porto Velho (RO), foram observadas elevações temporárias provocadas por precipitações localizadas na cabeceira da bacia, sem alterar o prognóstico geral do ciclo de estiagem regional.
Planejamento hidroviário e ações nos municípios do interior
A manutenção dos níveis d’água dentro da margem de normalidade traz maior previsibilidade para o transporte hidroviário de passageiros, navegação comercial e abastecimento de mercadorias no interior do Estado do Amazonas. O balizamento atual permite aos navegadores planejar a movimentação de embarcações de grande calado com maior margem de segurança.
Em polos regionais como o Baixo Amazonas, iniciativas ligadas ao plano climático de Parintins utilizam esses boletins para orientar as ações preventivas da Defesa Civil Municipal e da praticagem local, monitorando pontos críticos de navegação e passos estreitos nos rios.
O Serviço Geológico do Brasil informou que manterá a divulgação periódica dos boletins de alerta. Os dados em tempo real e os boletins em formato PDF continuam disponíveis no portal oficial do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE).


