7 de Setembro teve ato eleitoral na Paulista, Grito dos Excluídos em mais de 50 cidades e desfile oficial com Lula em Brasília.

O 7 de Setembro de 2026 transformou o feriado da Independência em uma demonstração das diferentes forças políticas e sociais mobilizadas a menos de um mês do primeiro turno da eleição presidencial.

Na Avenida Paulista, em São Paulo, o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) liderou um ato contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O público no momento de maior concentração foi estimado em 28,5 mil pessoas pelo Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, em parceria com a organização More in Common.

No mesmo dia, movimentos populares, sindicatos, igrejas e organizações sociais realizaram a 32ª edição do Grito dos Excluídos e Excluídas, com manifestações em mais de 50 cidades. Em Brasília, Lula participou do tradicional desfile cívico-militar, que teve a soberania nacional como tema central.

Flávio Bolsonaro durante manifestação de 7 de Setembro de 2026 na Avenida Paulista
Flávio Bolsonaro durante a execução do Hino Nacional no ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista — Foto: Toni Pires/Poder360

USP estima 28,5 mil pessoas no ato de Flávio

A estimativa de público foi produzida pelo Monitor do Debate Político da Universidade de São Paulo, pelo Cebrap e pela More in Common. Os pesquisadores fizeram registros aéreos em três horários: 15h15, 15h44 e 16h32.

O pico foi identificado às 16h32. Para chegar ao número, foram utilizadas 12 fotografias aéreas que cobriram toda a extensão ocupada pela manifestação sem sobreposição.

As imagens foram analisadas pelo método P2PNet, ou Point to Point Network, sistema de inteligência artificial que identifica e contabiliza pessoas nas fotografias. Segundo os responsáveis pelo levantamento, a margem de erro utilizada para grandes aglomerações é de aproximadamente 12%.

Isso coloca o público provável do ato entre 25,1 mil e 32 mil pessoas, tendo 28,5 mil como estimativa central, conforme os dados reproduzidos pelo InfoMoney.

7 de Setembro na PaulistaPúblico estimado pelo Monitor USP/Cebrap
202232,7 mil
2023Não houve ato oficial
202445,4 mil
202542,2 mil
202628,5 mil

Usando a mesma série histórica, o público de 2026 ficou cerca de 32,5% abaixo de 2025 e aproximadamente 37% abaixo do registrado em 2024.

O próprio Poder360 fez uma segunda estimativa e chegou a 34,2 mil participantes. O veículo utiliza uma metodologia diferente, baseada na extensão ocupada na avenida e na densidade de pessoas por metro quadrado. Por essa razão, os dois números não devem ser tratados como se tivessem sido obtidos pelo mesmo método.

Flávio concentra discurso em Lula e Alexandre de Moraes

A manifestação da Paulista foi convocada pela campanha de Flávio Bolsonaro com críticas diretas a Lula e Alexandre de Moraes. Tarcísio de Freitas, Ricardo Nunes, Nikolas Ferreira, Silas Malafaia, Valdemar Costa Neto e Sergio Moro estiveram entre os nomes políticos presentes ou citados nas coberturas do evento.

Flávio afirmou que pretende, se eleito, indicar ministros ao Supremo que, segundo ele, recuperem a credibilidade da Corte. Também voltou a defender o afastamento de Moraes e associou o ministro ao governo Lula.

As declarações ocorreram em meio à crise institucional provocada por questionamentos envolvendo ministros do STF e as investigações relacionadas ao Banco Master. Alegações feitas por políticos durante o ato continuam sujeitas à apuração institucional e não devem ser tratadas como fatos comprovados.

A Reuters destacou que a manifestação ocorreu em um momento de disputa eleitoral apertada e de forte tensão em torno da Suprema Corte.

Grito dos Excluídos teve atos em mais de 50 cidades

Manifestantes participam do Grito dos Excluídos e Excluídas de 2026 em São Paulo
32º Grito dos Excluídos e Excluídas reúne manifestantes no centro de São Paulo neste 7 de Setembro — Foto: Lucas Salum/Brasil de Fato

Enquanto o ato liderado por Flávio se concentrava na disputa eleitoral e no STF, a 32ª edição do Grito dos Excluídos levou outras pautas às ruas.

De acordo com os organizadores, reproduzidos pela Agência Brasil, ocorreram mobilizações em mais de 50 cidades de todas as regiões do país.

O lema desta edição foi “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”.

  • Moradia: defesa de políticas habitacionais e proteção de famílias ameaçadas de despejo.
  • Trabalho: reivindicação pelo fim da escala 6×1 e redução da jornada sem corte salarial.
  • Saúde: defesa do Sistema Único de Saúde.
  • Campo: reforma agrária e políticas de acesso à terra.
  • Mulheres: enfrentamento ao feminicídio e a outras formas de violência.
  • Direitos: combate ao racismo e à LGBTfobia.
  • Soberania: críticas a pressões externas sobre decisões políticas e econômicas brasileiras.

Em São Paulo, a mobilização começou cedo na Praça da Sé, sob frio e chuva. Segundo o Brasil de Fato, a Pastoral do Povo da Rua distribuiu cerca de 2 mil cafés, além de frutas e água, antes da caminhada.

Os manifestantes seguiram pelo centro da capital e encerraram a programação com missa na Catedral da Sé. No Rio de Janeiro, o Grito percorreu a Avenida Presidente Vargas após o desfile oficial. Brasília também recebeu uma mobilização com pautas ambientais, sociais e de soberania.

Não há nas fontes consultadas uma estimativa nacional independente de público do Grito. Por isso, não é metodologicamente correto comparar os “mais de 50 atos” com os 28,5 mil participantes calculados na Avenida Paulista.

Lula participa do desfile oficial em Brasília

Presidente Lula e autoridades durante o desfile de 7 de Setembro de 2026 em Brasília
Lula e autoridades acompanham o desfile cívico-militar do 7 de Setembro em Brasília — Foto: Tom Costa/MJSP

O terceiro grande eixo do feriado ocorreu em Brasília. O presidente Lula participou do desfile cívico-militar na Esplanada dos Ministérios, ao lado da primeira-dama Janja da Silva, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de representantes de outros Poderes.

O evento marcou os 204 anos da Independência do Brasil e teve “Soberania” como tema. Segundo o Ministério da Defesa, participaram representantes da sociedade civil, das Forças Armadas, das forças auxiliares e de órgãos de segurança pública.

A programação incluiu escolas públicas, tropas a pé, desfile motorizado, apresentações militares e demonstrações aéreas. A cerimônia começou por volta das 9h e terminou perto das 11h.

Uma estimativa divulgada pelo governo e reproduzida pela Exame indicou cerca de 70 mil pessoas na Esplanada. Esse número, entretanto, é uma estimativa governamental e não foi produzido pela mesma metodologia utilizada pela USP na Paulista, de modo que uma comparação direta exige cautela.

7 de Setembro acontece no meio de uma eleição apertada

A dimensão eleitoral do feriado ganhou ainda mais peso porque, horas depois dos atos, uma nova pesquisa Quaest mostrou Lula e Flávio Bolsonaro com 41% cada em um eventual segundo turno.

O levantamento ouviu 2.004 eleitores e tem margem de erro de dois pontos percentuais. Na pesquisa anterior, divulgada em 2 de setembro, Lula tinha 42% e Flávio, 41%. A oscilação está dentro da margem de erro.

No primeiro turno, a Quaest divulgada nesta segunda-feira mostra Lula com 36% e Flávio com 29%. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro; se houver necessidade de segundo turno, a votação ocorrerá em 25 de outubro.

Os números ajudam a explicar por que o 7 de Setembro ganhou forte conteúdo eleitoral em 2026. Não demonstram, porém, que as mobilizações realizadas nesta segunda-feira tenham alterado imediatamente a intenção de voto: a pesquisa foi coletada antes de ser possível medir qualquer eventual efeito dos atos.

O que os números do 7 de Setembro realmente mostram?

O dado mais objetivo é a redução do público do ato bolsonarista na Paulista quando comparado, pela mesma metodologia, aos dois anos anteriores. O Monitor registrou 28,5 mil pessoas em 2026, ante 42,2 mil em 2025 e 45,4 mil em 2024.

Isso não permite concluir, sozinho, que o eleitorado de Flávio Bolsonaro tenha encolhido na mesma proporção. Comparecimento a manifestações depende de clima, capacidade de mobilização, horário, localização, lideranças presentes e outros fatores diferentes de intenção de voto.

Do outro lado, a presença do Grito dos Excluídos em mais de 50 cidades demonstra capilaridade territorial, mas não existe uma contagem nacional uniforme que permita transformar essa abrangência em número comparável de participantes.

O 7 de Setembro, portanto, ofereceu três fotografias políticas distintas do país: uma mobilização eleitoral da direita na Paulista, movimentos sociais espalhados por dezenas de cidades e o governo federal utilizando a cerimônia oficial para enfatizar soberania. O próximo teste quantitativo virá das pesquisas realizadas após o feriado e, sobretudo, das urnas em 4 de outubro.

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