Show do intervalo da final da Copa gera críticas após pausa chegar a 27 minutos

5 min de leitura

O primeiro show realizado durante o intervalo de uma final da Copa do Mundo ampliou a pausa entre os dois tempos para 27 minutos e 24 segundos e provocou críticas de comentaristas, torcedores e personalidades ligadas ao futebol. A apresentação ocorreu no domingo, 19 de julho, durante a decisão entre Espanha e Argentina, no New York New Jersey Stadium, em East Rutherford, nos Estados Unidos.

O tempo registrado foi quase o dobro dos 15 minutos normalmente previstos para o intervalo de uma partida. De acordo com a Lei 7 das Regras do Jogo da International Football Association Board, os jogadores têm direito a uma pausa que não deve ultrapassar 15 minutos, embora alterações dependam do regulamento da competição e da autorização da arbitragem.

A apresentação musical propriamente dita durou aproximadamente 11 minutos. O restante da paralisação foi usado principalmente para a montagem e a retirada das estruturas instaladas no gramado. Antes da final, fontes ligadas à transmissão já estimavam que o intervalo poderia superar 20 minutos e até se aproximar de meia hora.

Wayne Rooney critica espetáculo durante transmissão

Entre as manifestações de maior repercussão esteve a do ex-atacante Wayne Rooney, que trabalhava como comentarista da BBC. Ao ser questionado sobre o espetáculo, o ex-capitão da seleção inglesa afirmou que gostava de vários dos artistas envolvidos, mas classificou a apresentação de forma negativa.

Segundo o Manchester Evening News, Rooney disse ao vivo que havia achado o show “uma merda”. Em outro comentário, respondeu que sua parte favorita havia sido o momento em que a apresentação terminou.

A declaração resumiu a insatisfação de parte do público que considerou a interrupção longa demais para uma partida decisiva. As críticas não se concentraram apenas na qualidade artística, mas principalmente no efeito que uma pausa de quase meia hora poderia ter sobre o aquecimento, a concentração e a rotina dos jogadores.

Madonna, BTS, Shakira e Justin Bieber participaram

Copa
Fonte: Fifa

Produzido pela Global Citizen e coordenado artisticamente por Chris Martin, do Coldplay, o espetáculo reuniu Madonna, BTS, Justin Bieber, Shakira e Burna Boy. Também houve participações dos Muppets, de um coral infantil e de outros convidados.

A FIFA apresentou o evento como um momento histórico por ser o primeiro show oficial de intervalo realizado em uma final da Copa do Mundo. Parte da iniciativa também esteve relacionada ao FIFA Global Citizen Education Fund, criado para apoiar projetos de educação e acesso ao esporte.

A entidade havia anunciado a atração em maio e defendido a proposta como uma combinação de futebol, música e impacto social. Madonna, Shakira e BTS foram inicialmente apresentados como os principais nomes, enquanto Justin Bieber foi confirmado posteriormente.

Formato inspirado no Super Bowl divide opiniões

Desde o anúncio, a adoção de um espetáculo semelhante ao intervalo do Super Bowl provocou discussões sobre uma possível “americanização” do futebol. Para os críticos, a tentativa de transformar a final em um produto de entretenimento mais amplo interfere em uma característica tradicional do esporte: a pausa curta entre os dois tempos.

O vocalista Robert Smith, da banda The Cure, já havia criticado publicamente a ideia antes da partida. Em suas manifestações, ele esclareceu que a rejeição não era dirigida aos artistas, mas ao próprio conceito de inserir um grande show musical no meio de uma final de Copa do Mundo.

Uma análise publicada pelo The Guardian também destacou a divisão provocada pelo espetáculo. Enquanto a produção foi elogiada pela variedade de artistas e pelo alcance internacional, houve questionamentos sobre o excesso de atrações e sobre a perda de espaço para análises esportivas durante a transmissão.

FIFA ainda não confirmou se formato será mantido

Apesar da repercussão, a FIFA não havia informado imediatamente se o modelo será adotado novamente nas próximas finais. O evento estabelece, porém, um precedente para que atrações musicais de grande porte passem a integrar a programação das futuras edições.

A final terminou com vitória da Espanha por 1 a 0 na prorrogação. Ferran Torres marcou o gol do título, garantindo à seleção espanhola sua segunda conquista mundial.

O resultado esportivo encerrou o torneio, mas a duração do intervalo e a decisão de aproximar a Copa do formato de grandes eventos norte-americanos devem continuar no centro das discussões sobre o futuro da competição.

Compartilhar este artigo
O Redator PodcastParintins produz notícias e conteúdos sobre Parintins, Amazonas, Brasil e o mundo, com compromisso com informação clara e responsável.
Nenhum comentário