Pessoas que percebam odor forte ou apresentem sintomas após uma possível exposição ao estireno devem deixar imediatamente a área atingida e procurar um local aberto, ventilado e distante da fonte do produto. A orientação foi divulgada pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica do Hospital Universitário Getúlio Vargas, o CIATox/HUGV, após o vazamento registrado no Distrito Industrial de Manaus.
O incidente ocorreu na quarta-feira, 15 de julho de 2026, em uma unidade industrial na zona Sul da capital. No último balanço epidemiológico municipal localizado, atualizado até as 15h de sexta-feira, 17 de julho, a Secretaria Municipal de Saúde havia registrado 414 atendimentos relacionados a sintomas após possível exposição.
Desse total, 157 atendimentos ocorreram em prontos-socorros e serviços públicos de urgência, 200 na rede particular e 57 em unidades municipais. A maioria apresentou sintomas leves e recebeu alta. Dois pacientes permaneciam internados naquele balanço, enquanto um óbito continuava sob investigação, sem confirmação de relação causal com o vazamento.
Quais sintomas foram relatados?

Segundo a orientação publicada pelo HUGV-Ufam, os sintomas podem variar conforme a concentração do produto, o tempo de exposição e as condições de saúde da pessoa.
- ardência, vermelhidão ou lacrimejamento nos olhos;
- irritação no nariz e na garganta;
- tosse ou chiado no peito;
- desconforto ou dificuldade para respirar;
- dor de cabeça e tontura;
- fraqueza, náusea ou vômito;
- dor no peito;
- desmaio ou alteração da consciência.
A chefe da Unidade de Farmácia Clínica do HUGV e responsável pelo CIATox, Sangely Mendonça, informou que o serviço passou a receber grande procura de pessoas buscando orientação para familiares, colegas de trabalho e moradores de áreas próximas.
O que fazer imediatamente?

| Situação | Orientação |
|---|---|
| Odor forte ou suspeita de área contaminada | Sair imediatamente do local e buscar um ambiente aberto e ventilado, distante da fonte. |
| Irritação nos olhos ou na pele | Lavar a região com água corrente em abundância. |
| Roupa exposta ao produto | Retirar a peça assim que for possível, evitando prolongar o contato. |
| Sintomas leves, com respiração normal | Procurar a unidade de saúde mais próxima e informar a possível exposição química. |
| Falta de ar, dor no peito, desmaio ou piora rápida | Acionar imediatamente o Samu pelo telefone 192. |
Sangely Mendonça reforçou que “a pessoa deve sair imediatamente do local e procurar um ambiente aberto e ventilado”. Permanecer na área esperando que o desconforto desapareça pode prolongar a exposição e agravar os sintomas.
Máscara comum protege contra o estireno?
Máscaras convencionais não oferecem proteção adequada contra gases tóxicos. O HUGV explicou que ambientes industriais utilizam equipamentos específicos, diferentes das máscaras comuns usadas pela população.
Essa orientação técnica é importante porque comunicados iniciais recomendaram o uso de máscara nas proximidades da ocorrência. Diante dessa diferença, a medida mais segura continua sendo afastar-se da área contaminada, em vez de permanecer no local confiando apenas em uma máscara comum.
O que não deve ser feito?
- não permanecer na região apenas para observar, filmar ou fotografar;
- não se automedicar para controlar falta de ar ou outros sintomas;
- não ignorar sinais que persistam ou apareçam horas depois;
- não acender cigarros, fósforos, velas ou outras chamas onde houver odor forte;
- não ligar equipamentos que possam gerar faíscas em área potencialmente contaminada;
- não dirigir em direção à área isolada.
Motoristas que percebam odor durante o deslocamento devem manter os vidros fechados, interromper temporariamente a entrada de ar externo do veículo e seguir as orientações dos agentes de segurança.
Quando procurar atendimento de urgência?
Dificuldade para respirar, falta de ar intensa, desmaio, dor importante no peito, confusão mental ou piora rápida exigem atendimento imediato. A diretora da Vigilância em Saúde da Semsa, Marinélia Ferreira, alertou que sintomas respiratórios podem surgir ou se agravar algumas horas depois da exposição.
“Mesmo após a melhora inicial, é importante que a pessoa fique atenta”, afirmou a diretora. Crianças, gestantes, idosos e pessoas com asma, doença pulmonar, problemas cardíacos ou outras condições respiratórias devem receber atenção prioritária.
O tratamento é definido conforme os sintomas apresentados. O CIATox esclareceu que não existe um antídoto específico para o estireno; a assistência é sintomática e de suporte, podendo incluir oxigênio e outras medidas indicadas pela equipe médica.
Rede de saúde permanece em monitoramento
A Semsa informou que acompanha os atendimentos em unidades públicas e privadas e mantém articulação com o Ministério da Saúde. O registro adequado dos casos permite identificar a distribuição dos sintomas, grupos vulneráveis e possíveis mudanças no cenário epidemiológico.
A preparação da rede de urgência é especialmente importante em ocorrências químicas. O tema se relaciona aos investimentos previstos no projeto de hospital inteligente do SUS voltado a emergências.
Sintomas como tosse, chiado e falta de ar também podem aparecer em doenças respiratórias. Por isso, o paciente deve informar ao profissional de saúde se esteve próximo à área afetada, evitando confundir a exposição química com a circulação de gripe e outros vírus respiratórios.
Telefones para orientação e emergência
- CIATox/HUGV: (92) 3305-4702;
- Disque-Intoxicação: 0800 722 6001;
- Samu: 192;
- Defesa Civil: 199;
- Corpo de Bombeiros: 193.
Vídeo relacionado
A Record Manaus publicou no YouTube uma entrevista sobre os cuidados e os direitos de trabalhadores expostos ao produto químico:
As orientações podem mudar conforme o avanço da operação e os resultados do monitoramento ambiental. A população deve acompanhar os canais oficiais da Prefeitura de Manaus, do Governo do Amazonas, do Corpo de Bombeiros e das autoridades de saúde.


