PF indica 16 funcionários da Voepass e pede que MPF investigue a Anac

Relatório final da PF aponta falhas sistêmicas e pede investigação da agência reguladora. Testemunha citou possível propina a inspetores.

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Campinas (SP) — A Polícia Federal (PF) indiciou 16 funcionários e ex-funcionários da Voepass pela queda do voo 2283 em Vinhedo (SP), que matou 62 pessoas em 9 de agosto de 2024. Em paralelo, a corporação encaminhou ao Ministério Público Federal (MPF) pedido para que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) seja investigada por possíveis falhas na fiscalização da companhia aérea.

O relatório final do inquérito criminal foi apresentado em 6 de agosto de 2026, após quase dois anos de investigação. Entre os 16 indiciados estão o dono da companhia, José Luiz Felício Filho, e o ex-diretor de manutenção Eric Cônsoli, segundo a PF divulgada em 6 e 7 de agosto de 2026. Quinze deles respondem por atentado contra a segurança do transporte aéreo e um por falsidade ideológica. As penas podem variar de 8 a 24 anos de prisão.

Quem são os indiciados

A PF divulgou os nomes dos 16 indiciados em coletiva de imprensa em 6 de agosto de 2026. A lista inclui profissionais das áreas de manutenção, operações, despacho e chefia de pilotos:

NomeCargo/função
José Luiz Felício FilhoProprietário da companhia
Eric CônsoliEx-diretor de manutenção
Rafael Gimenez RodriguesEx-chefe de pilotos
Marcel Sarquis MouraEx-diretor de operações
David da Costa Faria NetoDespachante operacional
Tiago Passucci MoraniPiloto / operações
Raphael Limongi de FigueiredoPiloto / operações
Carlos Alberto CostaMecânico / manutenção
Juliano Flores PachecoMecânico / manutenção
William Schmidt AgatzMecânico / manutenção
Alex de Souza LeandroMecânico / manutenção
Marcos Hiroyuki SatoMecânico / manutenção
Jon Major VianaMecânico / manutenção
Oderlino de Campos FigueiredoMecânico / manutenção
Luciano Alves de MacedoMecânico / manutenção
Edson Serra MartinsMecânico / manutenção

A “cultura de não reporte”

O laudo da PF, divulgado em 6 de agosto de 2026, apontou que a Voepass mantinha uma “cultura de não reporte” institucionalizada. Tripulações e mecânicos omitiam panes graves no sistema de degelo nos diários de bordo para evitar que as aeronaves ficassem paradas, priorizando a disponibilidade da frota em detrimento da segurança.

De acordo com o diretor do Instituto Nacional de Criminalística (INC), Carlos Eduardo Palhares, em declarações à imprensa em 6 de agosto de 2026, falhas no sistema de degelo haviam ocorrido em voos anteriores, mas não foram registradas. Os dados só vieram à tona após a análise das caixas-pretas da aeronave destruída.

PF pede investigação da Anac

A PF solicitou ao MPF que apure a atuação de integrantes da Anac. O relatório da corporação, divulgado em 6 de agosto de 2026, afirma que a agência reguladora conhecia “diversas não conformidades técnicas e não procedimentais” relacionadas à manutenção das aeronaves da Voepass antes do acidente, mas manteve a companhia em funcionamento.

Em depoimento à PF, um mecânico de pista da Voepass afirmou desconfiar do pagamento de “propina” entre a empresa e inspetores da Anac. Segundo o relato, divulgado pela imprensa em 7 de agosto de 2026, o mecânico teve sua carteira de autorização de trabalho suspensa mesmo após ser aprovado em curso de reciclagem, o que ele atribuiu à recusa em liberar aeronaves com problemas técnicos.

A Anac, em nota divulgada em 7 de agosto de 2026, afirmou que não foi oficialmente notificada sobre supostos atos de improbidade por parte de seus servidores. A PF também encaminhou cópia do relatório à Corregedoria Regional da corporação em São Paulo para análise de possíveis crimes de prevaricação ou corrupção passiva privilegiada por funcionários da agência.

Restrições aos indiciados

A Justiça Federal aceitou pedido da PF e determinou que os 16 indiciados tenham os passaportes suspensos e não deixem o Brasil enquanto o MPF analisa o inquérito, segundo informações da PF divulgadas em 6 de agosto de 2026. O inquérito agora será encaminhado ao MPF, que decidirá se oferece denúncia ou solicita novas diligências.

O que diz a Voepass

Em nota divulgada em 6 de agosto de 2026, a Voepass afirmou que a “segurança operacional sempre foi sua prioridade” e que colaborou integralmente com as autoridades. A companhia ressaltou que a tripulação do voo 2283 era experiente, com mais de 5.000 horas de voo, e que a empresa possui certificação IOSA da IATA desde 2012. A Voepass disse que aguarda os próximos desdobramentos processuais e exercerá seu direito de defesa.

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