Grandes formas de leque observadas entre montanhas, rios e geleiras no Ártico russo são depósitos de sedimentos construídos pela água ao longo do tempo. Chamadas de leques aluviais, essas estruturas aparecem quando um rio sai de um canal estreito, perde velocidade e espalha pedras, areia e materiais mais finos sobre um terreno aberto.
Os desenhos foram registrados no sul da Ilha Severny, que integra o arquipélago de Novaya Zemlya, na Rússia. A imagem foi captada em 1º de agosto de 2025 pelo Landsat 9 e divulgada como Imagem do Dia do Earth Observatory em 14 de julho de 2026.

Observatório da Terra da NASA/Lauren Dauphin
Antes da explicação, a NASA havia apresentado o local como um desafio de identificação por satélite. A combinação de gelo, montanhas, canais entrelaçados e depósitos em forma de cone dificultava reconhecer imediatamente o que aparecia na imagem.
Dados da imagem de satélite
- Local: Ilha Severny, no Ártico russo;
- Arquipélago: Novaya Zemlya;
- Data da imagem: 1º de agosto de 2025;
- Satélite: Landsat 9;
- Instrumento: Operational Land Imager, o OLI;
- Estruturas observadas: leques aluviais ao lado de um rio entrelaçado.
Como um rio cria uma forma de leque?
Nas áreas montanhosas, a água corre por canais estreitos e inclinados. A velocidade elevada permite transportar fragmentos de diferentes tamanhos, desde partículas finas até areia, cascalho e pedras.
Quando o rio chega a uma área mais plana, o canal deixa de confinar o fluxo. A água se espalha, perde energia e já não consegue carregar todo o material retirado das encostas.
Os fragmentos maiores tendem a ser depositados primeiro, mais perto da saída do canal. Areia e partículas finas podem avançar por distâncias maiores. A repetição desse processo constrói uma superfície larga que lembra um leque aberto.
Os canais também podem mudar de posição. Em uma época, a água atravessa um lado do depósito; depois, pode abrir caminho pelo centro ou pela outra extremidade. Essa migração ajuda a espalhar os sedimentos e ampliar a estrutura.
Por que existem leques em lados opostos do vale?
A imagem da Ilha Severny mostra depósitos que avançam de lados diferentes em direção a um rio principal. Isso acontece porque cursos d’água descem das montanhas que cercam o vale.
Cada canal lateral transporta material de sua própria encosta. Ao alcançar o fundo relativamente plano, ele forma um leque. Como há montanhas dos dois lados, alguns depósitos ficam voltados uns para os outros.
No centro passa um rio entrelaçado, formado por vários canais rasos que se dividem e voltam a se encontrar. Bancos de areia, cascalho e outros sedimentos separam temporariamente esses caminhos.
A paisagem não foi construída em um único evento. Ela é resultado de sucessivos períodos de escoamento, transporte, deposição e mudança dos canais.
De onde vem tanto sedimento?
A Ilha Severny é montanhosa e grande parte de sua superfície permanece coberta por gelo. Algumas geleiras chegam ao mar, enquanto outras terminam sobre o próprio terreno.
Ao se movimentar lentamente pelas encostas, o gelo raspa e fragmenta as rochas. Esse processo produz uma quantidade elevada de material solto, que pode ser transportado posteriormente pela água do degelo.
Durante os meses mais quentes, a neve sazonal e parte do gelo derretem. O aumento do fluxo permite que os rios retirem sedimentos das montanhas e os levem até as áreas mais baixas.
O Earthdata, da NASA, reúne dados usados para acompanhar geleiras, cobertura de neve e mudanças na criosfera. Essas observações ajudam a relacionar o gelo das montanhas ao comportamento dos rios próximos.
Um leque aluvial é igual a um delta?
As duas estruturas podem apresentar canais ramificados e grande concentração de sedimentos, mas se formam em posições diferentes.
Leque aluvial e delta: qual é a diferença?
- Leque aluvial: forma-se geralmente na base de uma encosta, quando o rio sai de um canal inclinado e alcança terreno mais plano;
- Delta: forma-se na desembocadura de um rio, quando a corrente entra em um lago, mar ou outro corpo de água;
- Semelhança: ambos surgem porque a água perde capacidade de transportar sedimentos;
- Diferença principal: o leque se espalha sobre terra firme, enquanto o delta avança sobre ou para dentro de um corpo d’água.
Os leques mostram que as geleiras estão derretendo?
A existência dos leques, sozinha, não comprova uma tendência recente de aquecimento. Depósitos desse tipo podem ser construídos durante períodos muito longos e continuar recebendo material em diferentes estações.
Entretanto, o degelo sazonal é uma das fontes que mantêm os rios da Ilha Severny abastecidos. Quanto maior o fluxo, maior pode ser a capacidade de retirar e transportar sedimentos das montanhas.
Pesquisas citadas pelo Earth Observatory indicam que geleiras terrestres do arquipélago de Novaya Zemlya perderam espessura durante as décadas de 2000 e 2010, principalmente em áreas de menor altitude.
Essa informação vem da comparação de modelos digitais de elevação e de outras observações ao longo dos anos. Uma única fotografia de satélite oferece um retrato da paisagem; a identificação de mudanças depende de séries históricas.
Como o satélite consegue enxergar essas estruturas?
O Landsat 9 observa a superfície terrestre em diferentes faixas do espectro. Seu instrumento OLI registra informações sobre água, gelo, vegetação, solo e rochas com detalhes suficientes para acompanhar grandes formas de relevo.
Na imagem do Ártico, diferenças de cor, textura e formato ajudam a separar montanhas, gelo, canais ativos e depósitos. O desenho radial dos cursos d’água é uma das principais pistas para reconhecer os leques.
O programa Landsat é administrado em parceria pela NASA e pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos. Suas imagens permitem comparar paisagens em diferentes datas sem a necessidade de manter equipes permanentemente em regiões remotas.
É por isso que o sensoriamento remoto é especialmente importante no Ártico. O frio, a distância, o gelo e a falta de infraestrutura tornam as pesquisas de campo mais difíceis, enquanto os satélites conseguem observar áreas extensas regularmente.
Outras explicações sobre relevo e processos terrestres podem ser acompanhadas na página de geologia. Imagens e fenômenos incomuns observados ao redor do planeta também aparecem na seção de curiosidades.


