A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou nesta quarta-feira, 29 de julho, cinco novos medicamentos injetáveis com semaglutida sintética para o tratamento de diabetes tipo 2. Os produtos são Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema e representam o maior número de aprovações de agonistas de GLP-1 concedidas de uma só vez pela agência.

A decisão foi divulgada pela Anvisa nesta quarta-feira. Embora medicamentos dessa classe sejam popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”, há um detalhe importante: os cinco registros anunciados agora têm indicação aprovada para pacientes adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado.
Quais são as cinco novas canetas de semaglutida?
| Medicamento | Empresa responsável pelo registro |
|---|---|
| Owozy | Ávita Care Importação e Distribuição de Produtos Ltda. |
| Seemasun | Sun Farmacêutica do Brasil Ltda. |
| Zempneo | Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica S.A. |
| Semavy | Cosmed Indústria de Cosméticos e Medicamentos S.A. |
| Orsema | Ranbaxy Farmacêutica Ltda. |
Todos têm como princípio ativo a semaglutida obtida por via sintética. Segundo a agência, os medicamentos foram avaliados por comparação com o produto biológico Ozempic.
A indicação aprovada é como complemento à dieta e à prática de exercícios em adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, nas situações previstas no registro, incluindo quando a metformina é considerada inadequada devido à intolerância ou contraindicações.
Registro não significa aprovação para emagrecimento
A associação entre semaglutida e perda de peso pode levar a uma interpretação errada do anúncio. O registro divulgado pela Anvisa nesta quarta-feira é para tratamento do diabetes tipo 2.
Isso significa que a existência do mesmo princípio ativo em medicamentos destinados a outras condições não permite concluir que Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema tenham recebido automaticamente as mesmas indicações.
Os usos autorizados dependem do que foi efetivamente avaliado e aprovado pela agência para cada produto.
A própria Anvisa explica que o registro de um medicamento exige avaliação de eficácia, segurança e qualidade, e o produto comercializado deve corresponder às condições autorizadas no processo regulatório.
As cinco canetas já podem chegar às farmácias?
A concessão do registro é um passo decisivo: após a publicação do ato no Diário Oficial da União, o medicamento passa a ter autorização sanitária para comercialização no Brasil.
Isso, porém, não quer dizer que todas as cinco marcas estarão disponíveis imediatamente nas prateleiras nesta quarta-feira. O anúncio da Anvisa não informa datas de lançamento, início da distribuição ou preços de venda de cada produto.
A chegada efetiva ao mercado depende também das decisões comerciais e logísticas das empresas responsáveis.
Os preços de medicamentos vendidos no país ficam sujeitos às regras da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. A CMED disponibiliza mensalmente os preços máximos autorizados para consulta dos consumidores.
Zempneo e Semavy podem ter produção nacional
Outro ponto do anúncio diz respeito à produção no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, Zempneo e Semavy têm expectativa de produção nacional após a conclusão de processos de transferência de tecnologia para empresas brasileiras.
A estratégia faz parte de um movimento para aumentar a oferta desses medicamentos e reduzir a dependência de produtos importados.
A Anvisa vinha dando prioridade à análise de medicamentos à base de semaglutida e liraglutida desde agosto de 2025. Em março deste ano, a agência informou que havia diversos pedidos de semaglutida em diferentes etapas de avaliação.
Em maio, a agência já havia concedido registro ao Ozivy, primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic registrada no país para diabetes.
Aprovação não significa entrada automática no SUS
Também é importante separar duas decisões diferentes: registro pela Anvisa e incorporação ao Sistema Único de Saúde não são a mesma coisa.
O registro autoriza o medicamento do ponto de vista sanitário. Para que uma tecnologia passe a ser oferecida rotineiramente pelo SUS, existe outro processo de avaliação que considera, entre outros aspectos, evidências clínicas e impacto para o sistema público.
O Ministério da Saúde informou nesta quarta-feira que medicamentos dessa classe ainda não são oferecidos pelo SUS e que existe pedido de incorporação da semaglutida em análise pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
A pasta também acompanha um protocolo envolvendo cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras condições no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. Os primeiros resultados são esperados para 2027 e poderão contribuir para futuras decisões sobre o uso da classe na rede pública.
Venda continua exigindo retenção da receita
Os agonistas do receptor de GLP-1 estão sujeitos a controle específico nas farmácias brasileiras. Desde junho de 2025, a venda desses medicamentos exige prescrição em duas vias e retenção da receita pela farmácia ou drogaria.
A regra alcança substâncias como semaglutida, liraglutida e tirzepatida. A receita pode ter validade de até 90 dias, conforme a norma da Anvisa.
Com os cinco registros anunciados agora, aumenta o número de produtos à base de semaglutida autorizados no país. O efeito sobre disponibilidade e preços, entretanto, dependerá da entrada efetiva das novas marcas no mercado e das condições definidas para cada lançamento.


