A Boeing pretende estabilizar a produção do 737 MAX em 47 aviões por mês antes de avançar para uma nova taxa de 52 unidades mensais. O plano foi confirmado neste domingo, 19 de julho, pela presidente da divisão de aviões comerciais da fabricante, Stephanie Pope.
A declaração foi feita antes do início do Farnborough International Airshow, no Reino Unido. Segundo Pope, o aumento dependerá dos resultados de segurança, qualidade e estabilidade registrados nas fábricas e na cadeia de fornecedores.

A executiva não anunciou uma data específica para a produção alcançar 52 unidades por mês. A prioridade imediata é consolidar o ritmo de 47 aeronaves mensais, autorizado após avaliações realizadas com a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, a FAA.
Como deve ocorrer o aumento da produção
| Etapa | Situação |
|---|---|
| 42 aviões por mês | Taxa anterior de produção do 737 MAX |
| 47 aviões por mês | Ritmo que a Boeing busca estabilizar atualmente |
| 52 aviões por mês | Próxima meta confirmada pela fabricante |
| Novos aumentos | Continuarão em estudo, sem calendário definido |
Stephanie Pope explicou que o sistema de gestão de segurança e as avaliações de risco serão utilizados para decidir quando a empresa estará preparada para passar de uma etapa à outra.
Segundo a executiva, a equipe está concentrada primeiro em alcançar estabilidade nas 47 unidades mensais. Somente depois desse resultado a Boeing pretende elevar a fabricação para 52 aviões e estudar novos aumentos.
Boeing diz que prioridade não são novos pedidos

No Farnborough Airshow, uma das maiores feiras internacionais da indústria aeroespacial, fabricantes normalmente anunciam contratos de compra com companhias aéreas. A Boeing, porém, afirmou que sua prioridade nesta edição será a produção.
Stephanie Pope declarou que a carteira de pedidos permanece forte e que a demanda não é o principal problema da empresa. O foco será ouvir clientes e fornecedores, identificar dificuldades e apresentar atualizações sobre os programas em andamento.
A fabricante precisa acelerar as entregas de aeronaves já encomendadas, reduzir atrasos e demonstrar que consegue elevar o ritmo sem comprometer a qualidade.
Nova linha começou a operar em julho
A Boeing ativou em 6 de julho uma quarta linha de produção do 737 MAX. A estrutura está localizada em Everett, no estado de Washington, e é conhecida como North Line.
As outras três linhas ficam em Renton, também em Washington. A nova instalação foi criada para ampliar a capacidade de produção acima das 47 unidades mensais.
A empresa informou que a operação começaria de forma gradual. Os primeiros aviões passariam por um processo de produção inicial em ritmo reduzido, permitindo verificações e ajustes antes da expansão completa.
O presidente da Boeing, Kelly Ortberg, afirmou anteriormente que a empresa não aceleraria a saída de aeronaves enquanto o sistema de produção não estivesse estável e entregando produtos com a qualidade esperada.
Aumento continua sob supervisão da FAA
A produção do 737 MAX passou a enfrentar limites mais rígidos depois do incidente ocorrido em janeiro de 2024, quando um painel se desprendeu durante o voo de um 737 MAX 9 operado pela Alaska Airlines.
A ocorrência levou a FAA a ampliar a fiscalização sobre a Boeing e seus fornecedores. O órgão limitou a produção a 38 aeronaves mensais e condicionou futuros aumentos à comprovação de melhorias nos processos industriais.
A taxa foi posteriormente elevada para 42 unidades. Em maio de 2026, a FAA apoiou o avanço para 47 aviões por mês depois de uma nova avaliação dos indicadores de segurança e qualidade.
O aumento para 52 unidades também dependerá da demonstração de que a Boeing consegue manter os padrões exigidos. A FAA continuará realizando inspeções, auditorias e acompanhamento do sistema de produção.
Boeing voltará a emitir certificados de aeronavegabilidade
A partir de segunda-feira, 20 de julho, a FAA permitirá que uma unidade autorizada da Boeing volte a emitir certificados de aeronavegabilidade para todos os novos 737 MAX e 787.
O certificado é o documento que confirma que uma aeronave atende aos requisitos necessários para operar. Sua emissão ocorre no final do processo de produção.
A autorização não significa o fim da fiscalização governamental. A unidade da Boeing responsável pelos documentos atua dentro do programa de delegação da FAA e representa o órgão regulador durante o processo.
A FAA informou que a decisão foi tomada depois de oito meses de análise. Durante esse período, o órgão comparou os resultados encontrados quando seus próprios técnicos emitiram certificados com aqueles registrados pela equipe autorizada da Boeing.
O administrador da FAA, Bryan Bedford, afirmou que a agência manterá uma supervisão rigorosa e concentrará parte dos inspetores na identificação de riscos durante as etapas iniciais da fabricação.
Por que produzir mais aviões é importante para a Boeing?
O 737 representa a maior parte da receita da divisão de aviões comerciais da Boeing. A elevação da produção permite ampliar entregas, receber pagamentos de clientes e reduzir o volume de pedidos acumulados.
O aumento também é considerado importante para a recuperação financeira da empresa. A Boeing possui aproximadamente US$ 26 bilhões em dívida líquida e enfrenta concorrência direta da Airbus no mercado de aeronaves de corredor único.
A família Airbus A320 superou o 737 MAX em vendas nesse segmento. A Boeing precisa aumentar as entregas para reduzir essa diferença e recuperar capacidade de competição.
Demanda por aviões permanece elevada
A Boeing estima que o mercado mundial precisará de 43.625 novos aviões comerciais e cargueiros entre 2026 e 2045. Desse total, 33.545 seriam aeronaves de corredor único, categoria que inclui o 737 MAX.
A fabricante calcula que o setor entrou em 2026 com uma oferta aproximadamente 2 mil aviões abaixo da demanda. As limitações de produção e os problemas na cadeia de fornecedores dificultam a redução desse déficit.
Metade das entregas previstas para as próximas duas décadas deverá substituir aeronaves antigas. A outra metade será utilizada para ampliar as frotas das companhias aéreas.
Certificações ainda precisam ser concluídas
Além do aumento da produção, a Boeing trabalha para concluir a certificação do 737 MAX 7 e do 737 MAX 10, versões menor e maior da família.
A fabricante também enfrenta atrasos no programa 777-9, aeronave de grande porte que ainda não concluiu todo o processo de certificação.
A liberação desses modelos é importante para atender contratos existentes e liberar engenheiros que poderão trabalhar no desenvolvimento de uma nova geração de aviões.
Por enquanto, a Boeing não definiu quando apresentará um sucessor totalmente novo para o 737 MAX. A empresa afirma que precisa recuperar a estabilidade financeira, concluir os programas atuais e garantir que as tecnologias necessárias estejam maduras.


