Brasília — A Polícia Federal (PF) apresenta nesta quinta-feira, 6 de agosto de 2026, o relatório final do inquérito criminal sobre a queda do avião da Voepass em Vinhedo, no interior de São Paulo. A tragédia ocorreu em 9 de agosto de 2024 e deixou 62 mortos. A conclusão da investigação policial ocorre quase dois anos após o acidente e pode resultar em indiciamentos.
O inquérito da PF é distinto do relatório técnico divulgado pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) em 23 de julho de 2026. Enquanto o Cenipa aponta as causas técnicas da queda, a PF investiga responsabilidades criminais — como homicídio culposo e crimes contra a segurança do transporte aéreo.
O que apontou o Cenipa

O relatório técnico do Cenipa, divulgado em 23 de julho de 2026, identificou 19 fatores que influenciaram a queda, sendo que 15 contribuíram diretamente para o acidente, segundo informações do órgão. Entre as principais conclusões:
- O ATR 72-500 não deveria ter decolado de Cascavel (PR) nas condições meteorológicas registradas naquele dia, segundo o Cenipa em julho de 2026;
- Havia sinais repetidos de formação de gelo na aeronave, mas a tripulação demorou a reagir de forma consistente;
- O sistema antigelo da asa direita apresentava funcionamento irregular ou mal gerenciado;
- Os pilotos conversavam sobre outros assuntos enquanto os alertas apareciam, o que indica perda de atenção operacional;
- Houve alta carga de trabalho e sobrecarga de estímulos na cabine, que provocaram “surdez e cegueira” por desatenção, conforme relatório do Cenipa em 2026.
O que a PF investigou

O inquérito policial da PF analisou se houve negligência por parte da companhia aérea, dos pilotos e dos órgãos de fiscalização. Em 5 de agosto de 2026, o portal G1 informou que a PF deveria indiciar o ex-chefe de pilotos Rafael Gimenez Rodrigues pela queda do avião.
A investigação da PF incluiu a análise das caixas-pretas, reconstrução do acidente, testes em simuladores, exames em motores e sistemas de degelo e entrevistas com pessoas ligadas ao voo. O relatório final do inquérito policial, apresentado em 6 de agosto de 2026, define se há indícios suficientes para responsabilização penal.
Sobre o acidente
O voo 2283 da Voepass decolou de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP) na manhã de 9 de agosto de 2024. A aeronave, um ATR 72-500 de matrícula PS-VPB, caiu em uma área residencial de Vinhedo (SP) pouco antes de completar a travessia entre os dois estados. Não houve sobreviventes entre os 58 passageiros e 4 tripulantes.
O Cenipa, órgão da Força Aérea Brasileira (FAB), esclareceu em seu relatório de julho de 2026 que a investigação técnica não tem foco em apontar culpados e não define responsabilidades civis ou criminais. Essa atribuição cabe à Polícia Federal e ao Judiciário.
O que acontece agora
Com o relatório final da PF apresentado em 6 de agosto de 2026, o inquérito será remetido ao Ministério Público Federal (MPF) para análise. O órgão decidirá se oferece denúncia contra os indiciados ou se solicita novas diligências. O advogado das famílias das vítimas, Leonardo Amarante, informou em julho de 2026 que aguarda o relatório da PF para uma possível responsabilização penal dos envolvidos.
A Voepass informou em nota em julho de 2026 que atua de forma transparente junto ao Cenipa e reforçou que a tripulação do voo 2283 era experiente, com mais de 5.000 horas de voo e treinamentos atualizados.



