Taxa das blusinhas: Senado zera imposto federal até US$ 50

O Senado aprovou na quinta-feira (3) o texto que permite manter zerado o Imposto de Importação federal sobre compras internacionais de até US$ 50, medida que ficou popularmente conhecida como fim da “taxa das blusinhas”.

A votação, porém, não elimina todos os impostos cobrados nas compras internacionais. O ICMS continua sendo devido e segue as regras definidas pelos estados e pelo Distrito Federal.

Também não haverá uma nova redução automática no preço mostrado ao consumidor. A alíquota federal para compras de pessoas físicas em plataformas certificadas pelo Programa Remessa Conforme já está em 0% desde maio de 2026, quando entrou em vigor a Medida Provisória 1.357/2026.

O que muda nas compras de até US$ 50?

O principal efeito da aprovação pelo Congresso é permitir que a alíquota federal zero seja mantida sem depender exclusivamente da vigência temporária da medida provisória.

Segundo a Receita Federal, compras de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas em empresas certificadas pelo Remessa Conforme estão atualmente sujeitas a 0% de Imposto de Importação.

Isso não significa compra sem imposto. O ICMS continua sendo cobrado sobre essas operações.

PeríodoImposto federal até US$ 50Situação
Até maio de 202620%Regra anterior
Desde maio de 20260%MP 1.357/2026 em vigor
Após a votação no Congresso0% durante a vigência da MPProjeto de conversão aguarda sanção
Se o texto for sancionadoPoderá permanecer em 0%Fazenda poderá definir a alíquota

O texto aprovado altera as regras do Regime de Tributação Simplificada e autoriza o Ministério da Fazenda a modificar as alíquotas aplicadas às remessas internacionais. Para compras de até US$ 50, o percentual poderá ser reduzido a zero.

“São pessoas que procuram um produto mais barato, são famílias que precisam fazer o orçamento caber no final do mês.”

Leila Barros, relatora da MP no Senado

A declaração foi feita pela senadora após a aprovação da proposta no plenário, segundo a Agência Senado.

Compras acima de US$ 50 também podem ter mudanças

O texto aprovado também permite ao Ministério da Fazenda reduzir a alíquota do Regime de Tributação Simplificada para até 30% nas remessas de até US$ 3 mil.

A autorização, entretanto, não significa que todas as compras dessa faixa passarão automaticamente a pagar 30%. O governo poderá definir os percentuais aplicáveis posteriormente.

Câmbio poderá considerar a data da compra

Outra mudança aprovada permite considerar a taxa de câmbio vigente no momento da compra para determinar o valor da mercadoria adquirida em plataformas habilitadas no programa de conformidade.

A regra busca dar mais previsibilidade ao consumidor, já que uma variação do dólar entre o pagamento e a chegada da encomenda ao Brasil pode alterar o valor usado no cálculo tributário.

Plataformas terão mais obrigações contra fraudes

O projeto também amplia as responsabilidades das plataformas de comércio eletrônico e dos operadores logísticos que participam do programa de conformidade.

  • Subfaturamento: deverão existir mecanismos para identificar produtos declarados abaixo do valor real.
  • Fracionamento: operações divididas artificialmente para reduzir a tributação deverão ser monitoradas.
  • Rastreabilidade: as plataformas deverão manter informações capazes de identificar vendedores estrangeiros.
  • Produtos ilegais: empresas deverão oferecer mecanismos de denúncia e retirada de ofertas irregulares.

As plataformas também terão de cooperar com as autoridades fiscais e poderão ser submetidas a sanções em caso de descumprimento das regras.

Medicamentos sem similar nacional terão regra especial

O projeto prevê ainda alíquota zero do Imposto de Importação para determinados medicamentos sem similar nacional comprados por pessoas físicas para uso próprio no tratamento de doenças raras ou negligenciadas.

O medicamento deverá ser classificado pela Anvisa como produto sem similar no Brasil. Os procedimentos ainda dependerão de regulamentação.

Segundo o texto aprovado, essa parte da medida deverá produzir efeitos em até 180 dias após a publicação da lei.

Texto está na Casa Civil e aguarda sanção

A Câmara e o Senado concluíram a votação do Projeto de Lei de Conversão 13/2026 em 3 de setembro.

O sistema oficial do Congresso Nacional registra que o texto foi recebido pela Casa Civil em 4 de setembro de 2026.

Até a última checagem desta reportagem, a matéria aparecia oficialmente com a situação “remetida à sanção”.

O prazo registrado pelo Congresso para sanção ou veto presidencial vai até 25 de setembro de 2026.

O que isso significa para o consumidor?

Para quem compra em plataformas internacionais, o cenário imediato continua praticamente o mesmo que já está em vigor desde maio.

  • Compras de até US$ 50: podem continuar com Imposto de Importação federal zerado dentro das regras aplicáveis.
  • ICMS: continua sendo cobrado e não foi eliminado pela votação do Congresso.
  • Preço no checkout: não deve cair automaticamente apenas porque o Senado aprovou o texto.
  • Próximo passo: o projeto ainda depende de sanção presidencial.

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