Após 4,2 milhões de anos, fóssil revela um antigo parente do axolote no México

Redação

Um pequeno fóssil encontrado no México está ajudando os cientistas a enxergar uma parte antiga da história dos axolotes. A nova espécie, chamada Ambystoma quetzalcoatli, viveu há cerca de 4,2 milhões de anos, durante o Plioceno tardio.

A descoberta chama atenção porque o axolote moderno já é um dos animais mais curiosos do planeta. Ele mantém características juvenis na fase adulta, vive ligado à água e ficou famoso pela capacidade de regenerar partes do corpo.

Agora, os fósseis revelam que parentes antigos desse grupo já habitavam lagos mexicanos milhões de anos antes da paisagem atual existir.

Onde o fóssil foi encontrado?

O esqueleto de um indivíduo subadulto de Ambystoma quetzalcoatli. Crédito da imagem: Jorge A. Herrera-Flores e María Patricia Velasco-de León, doi: 10.26879/1644.

Os fósseis foram achados na região de Santa María Amajac, no estado de Hidalgo, a cerca de 100 quilômetros da Cidade do México. Hoje, a área é marcada por rochas e formações geológicas antigas.

Mas, no Plioceno, o cenário era bem diferente.

Pesquisas anteriores indicam que ali existia um lago montanhoso, cercado por um ambiente úmido e rico em vida. Esse antigo lago preservou restos de plantas, insetos, peixes, anfíbios e outros pequenos animais.

Foi nesse cenário desaparecido que viveu o Ambystoma quetzalcoatli.

A região já era conhecida por guardar fósseis importantes. Com a nova descoberta, Santa María Amajac ganha ainda mais peso para entender como a biodiversidade mexicana se formou ao longo de milhões de anos.

O que torna esse axolote fóssil tão importante?

O ponto mais forte da descoberta está na preservação dos fósseis. Segundo os pesquisadores, os exemplares analisados estavam completos e articulados.

Isso é raro.

Salamandras têm ossos finos e delicados, que se quebram com facilidade ao longo do processo de fossilização. Por isso, encontrar esqueletos preservados de forma mais íntegra permite observar detalhes que normalmente se perdem.

A análise mostrou que o animal tinha características suficientes para ser descrito como uma espécie nova. Os pesquisadores compararam os fósseis com espécies vivas do México e usaram imagens de tomografia para observar partes do crânio.

Entre os detalhes que chamaram atenção estavam:

  • diferenças no formato de ossos do crânio;
  • abertura em forma de “V” na região frontal;
  • traços ligados à retenção de características juvenis;
  • combinação anatômica diferente da observada em espécies atuais.

Essas marcas indicam que o fóssil não era apenas uma variação de uma espécie já conhecida. Era uma linhagem própria.

Por que o nome faz referência a Quetzalcóatl?

A nova espécie recebeu o nome Ambystoma quetzalcoatli em referência a Quetzalcóatl, divindade associada à serpente emplumada na cultura mesoamericana.

A escolha do nome aproxima a descoberta científica de um símbolo importante da história mexicana. Também reforça o vínculo entre o animal e a região onde ele foi encontrado.

O gênero Ambystoma reúne salamandras conhecidas como salamandras-toupeira. Elas ocorrem na América do Norte e incluem espécies famosas, como o axolote mexicano moderno, Ambystoma mexicanum.

O axolote atual vive naturalmente em ambientes aquáticos da região da Cidade do México, especialmente ligados ao sistema de Xochimilco. Embora seja muito criado em cativeiro, sua situação na natureza é crítica.

O que esse fóssil revela sobre os axolotes?

A descoberta mostra que a história dos axolotes e de seus parentes no México é profunda. O Ambystoma quetzalcoatli é considerado o registro mais antigo conhecido do gênero no país.

Isso ajuda os cientistas a entenderem quando e como essas salamandras se diversificaram na região.

O fóssil também sugere que antigos lagos isolados podem ter favorecido o surgimento de espécies próprias. Cercados por montanhas, esses ambientes funcionavam quase como ilhas aquáticas.

Com o tempo, populações isoladas poderiam desenvolver características diferentes das de outros grupos.

Esse tipo de cenário é importante para explicar por que o México abriga tantas espécies de anfíbios e outros animais endêmicos, ou seja, encontrados apenas em determinadas regiões.

Por que os axolotes parecem “jovens” mesmo adultos?

Uma das características mais famosas dos axolotes é a paedomorfose. Esse nome técnico descreve animais que mantêm traços juvenis mesmo depois de adultos.

No caso dos axolotes, isso aparece nas brânquias externas, no modo de vida aquático e em características do corpo que lembram fases larvais de outras salamandras.

O Ambystoma quetzalcoatli também apresentava sinais ligados a esse tipo de desenvolvimento. Isso aproxima o fóssil de espécies modernas que vivem em lagos mexicanos.

A descoberta, então, não mostra apenas um animal extinto. Ela revela que algumas características marcantes dos axolotes podem ter raízes antigas.

O que ainda falta descobrir?

O fóssil abre novas perguntas. Os pesquisadores ainda querem entender melhor como era o ambiente exato do antigo lago, quais animais conviviam com essa salamandra e como essas espécies se relacionavam com linhagens atuais.

Também há expectativa de novas descobertas na mesma região. A área de Santa María Amajac já revelou plantas, insetos e peixes fósseis. A presença de anfíbios bem preservados indica que o local ainda pode guardar peças importantes da história natural do México.

A imagem do axolote moderno costuma parecer delicada, quase frágil. Mas o fóssil de Hidalgo mostra outra coisa: por trás desse animal curioso existe uma linhagem antiga, resistente e profundamente ligada aos lagos que moldaram a biodiversidade mexicana.

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