Os Estados Unidos começarão a cobrar, em 22 de julho de 2026, uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos importados do Brasil. Móveis, máquinas, etanol, calçados, açúcar, roupas, equipamentos elétricos e papel estão entre os itens atingidos.
A decisão foi oficializada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, o USTR. A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite ao governo norte-americano reagir a práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
A tarifa não será aplicada igualmente a todas as exportações brasileiras. Café, carne bovina, laranjas, suco de laranja, aeronaves, componentes aeronáuticos e determinados produtos de energia aparecem entre as principais exceções.
Quais produtos serão atingidos ou ficarão fora?

| Entram na nova tarifa de 25% | Ficaram fora da nova tarifa |
|---|---|
| Móveis e produtos de madeira | Carne bovina |
| Máquinas e equipamentos | Café verde e parte do café solúvel |
| Etanol | Laranjas e suco de laranja |
| Calçados e roupas | Aeronaves e componentes aeronáuticos |
| Açúcar | Parte dos produtos de petróleo, gás e energia |
| Equipamentos elétricos e papel | Terras raras e determinados minérios |
A relação é resumida. A incidência depende do código de classificação aduaneira de cada mercadoria. Empresas exportadoras precisam consultar a lista completa publicada pelo USTR antes de embarcar seus produtos.
Itens já alcançados por outras tarifas dos Estados Unidos, como determinadas mercadorias de aço, alumínio, cobre, automóveis e autopeças, não entram nesta nova cobrança da Seção 301. Isso não significa que estejam livres de outras tarifas norte-americanas.
Quanto das exportações brasileiras será afetado?
Segundo o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, a nova medida deverá alcançar aproximadamente 18% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, o equivalente a cerca de US$ 7 bilhões em comércio anual.
Os setores de madeira, máquinas, móveis e calçados aparecem entre os mais expostos. A inclusão do etanol e do açúcar também pode afetar empresas e regiões que dependem dessas cadeias produtivas.
Ao mesmo tempo, a manutenção das exceções protege parte relevante da pauta exportadora. Café, carne bovina, aeronaves e energia possuem peso importante nas vendas brasileiras ao mercado norte-americano.
O efeito pode ser diferente do registrado em outras disputas comerciais, como as restrições europeias que ameaçaram as exportações brasileiras de carne. No caso atual, a carne bovina foi mantida entre as exceções anunciadas pelos Estados Unidos.
Por que os Estados Unidos adotaram a tarifa?
O USTR afirma que uma investigação iniciada em julho de 2025 identificou práticas brasileiras consideradas injustas ou restritivas ao comércio norte-americano.
Entre os temas citados pelo governo dos Estados Unidos estão:
- comércio digital e serviços de pagamento eletrônico;
- tarifas preferenciais adotadas pelo Brasil;
- aplicação de normas anticorrupção;
- proteção da propriedade intelectual;
- acesso do etanol norte-americano ao mercado brasileiro;
- combate ao desmatamento ilegal.
O representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que as negociações realizadas durante o último ano não resolveram as divergências. Segundo ele, Washington continua aberto à continuidade do diálogo com o Brasil.
Greer declarou que a medida seria necessária para permitir que trabalhadores e empresas norte-americanas disputem o mercado em condições consideradas equilibradas pelo governo dos Estados Unidos.
Brasil rejeita as acusações
O governo brasileiro contesta os fundamentos apresentados pelo USTR. O Ministério do Desenvolvimento afirma que as políticas relacionadas a pagamentos eletrônicos promovem concorrência, inovação e inclusão financeira, sem impedir a atuação de empresas dos Estados Unidos.
O ministério também sustenta que a maior parte das exportações norte-americanas entra no Brasil com tarifa zero ou com alíquotas efetivamente baixas. Segundo a posição oficial, os acordos preferenciais firmados pelo Mercosul seguem as regras da Organização Mundial do Comércio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a decisão norte-americana não possui justificativa comercial. O governo informou que deverá acionar os instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica e avaliar uma contestação no sistema de solução de controvérsias da OMC.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, também contestou declarações do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Vieira classificou os comentários como um ataque “grosseiro e arrogante” e reiterou que o Brasil permanece disposto a negociar.
O que significa reciprocidade?
O governo brasileiro afirma que pretende adotar medidas de reciprocidade, e não uma retaliação automática com tarifas sobre produtos dos Estados Unidos.
Na prática, isso significa que o Brasil poderá avaliar medidas equivalentes em áreas econômicas afetadas pela decisão norte-americana. As opções ainda dependem de análise técnica e decisão presidencial.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que qualquer resposta deverá proteger os setores atingidos sem comprometer as metas fiscais e a estabilidade da economia brasileira.
A tarifa pode aumentar preços no Brasil?
A tarifa será cobrada nos Estados Unidos sobre a entrada dos produtos brasileiros. Em geral, o pagamento é feito pelo importador norte-americano, que poderá absorver o custo, renegociar o preço ou buscar outro fornecedor.
Para o Brasil, o impacto mais imediato tende a ocorrer na competitividade das empresas exportadoras. Se os produtos brasileiros ficarem mais caros no mercado norte-americano, algumas companhias poderão perder pedidos, reduzir margens ou procurar compradores em outros países.
Não existe uma relação automática entre a tarifa e o aumento dos preços no mercado brasileiro. Ainda assim, mudanças nas exportações, no câmbio, no emprego e na produção podem influenciar custos ao longo do tempo, contribuindo para a sensação de que o dinheiro está rendendo menos.
Principais datas
- Julho de 2025: USTR abre investigação sobre práticas brasileiras;
- Abril de 2026: Brasil e Estados Unidos realizam consultas formais;
- 1º de junho: governo norte-americano propõe a tarifa de 25%;
- 6 e 7 de julho: USTR realiza audiência pública;
- 15 de julho: tarifa é confirmada;
- 22 de julho: início previsto da nova cobrança.


